"Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é meu lugar…". Com este refrão da música "O Portão", de Roberto Carlos, os corintianos, enlouquecidos e emocionados, comemoraram no último sábado no Pacaembu e no Brasil inteiro a volta do Corinthians à série A.
O Timão está fazendo uma campanha irrepreensível no Campeonato Brasileiro da série B. Perdeu somente duas partidas em 30 jogadas e acaba de alcançar a classificação para série A, faltando seis rodadas para o término do campeonato. Está com 70 pontos, 11 acima do segundo colocado, o Avaí. Pode conquistar o título com três rodadas de antecedência.
O calvário do Corinthians na série B foi suave e fácil, ao contrário de outras grandes equipes, em anos anteriores, que sofreram até o final do campeonato para subirem. Foi suave porque o time, muito bem armado pelo competente Mano Menezes, não deu chance a seus adversários e já na segunda rodada assumiu a liderança da competição, colocando uma diferença de pontos inalcançável.
Mano Menezes montou um time que, se foi não brilhante, teve uma defesa firme, um meio de campo sólido e um ataque marcador, com Dentinho e Herrera. Muitos dizem que o Corinthians ainda está longe de ser um time de série A. Será? Pelo que se tem visto na primeira divisão, com os altos e baixos dos times favoritos, a equipe não estaria tão mal assim.
E a indefinição continua…
Se o Brasileirão não está bom tecnicamente, se não há craques despontando neste campeonato, se os times favoritos não confirmam seu favoritismo, não podemos dizer que não há emoção na edição de 2008. Nunca na história dos pontos corridos, o Campeonato Brasileiro foi tão emocionante e imprevisível como está sendo este ano. A seis rodadas do seu final, não há como prever quais times serão rebaixados, quais vão ficar com as vagas de Libertadores e muito menos quem vai levar o título de campeão.
Cinco times têm chance de levar a taça: Grêmio, São Paulo, Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras. Evidente que o Grêmio, líder e abrindo uma diferença de três pontos para o São Paulo, têm mais chances, mas vai jogar fora com dois concorrentes diretos – Palmeiras e Cruzeiro. Quanto às quatro vagas da Libertadores, além dos cinco que disputam o título, podemos incluir o Botafogo, ainda com alguma chance. Lá embaixo na tabela, sete times lutam para não ficar entre os quatro rebaixados.
A crise econômica atingirá o futebol no mundo todo. Já está atingido os grandes clubes europeus, principalmente os da Premier Liga da Inglaterra. São clubes privados, adquiridos por grandes investidores americanos, árabes, russos. Assim como investem em clubes de futebol, investem na bolsa. Como o futebol é um investimento com menos retorno, é o primeiro a ser descartado.
A imprensa internacional divulgou recentemente que o milionário russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, time inglês que Luis Felipe Scolari treina, teria perdido cerca de R$ 20 bilhões na bolsa. Sem contar os investidores árabes, que compraram o Manchester City, onde jogam Robinho, Jô e Elano, com a queda do preço do petróleo. O Liverpool foi comprado recentemente pelos empresários norte-americanos Tom Hicks e George Gillett, com um empréstimo de cerca de 700 milhões de euros. O financiamento foi feito pelo Wachovia, um dos bancos abatidos pela crise. A Federação de Futebol Inglesa previu que haverá falências no esporte naquele país.
As repercussões no futebol brasileiro serão muitas: talvez diminua a procura e supervalorização dos nossos jogadores e os clubes que contavam com dinheiro de vendas de jogadores para Europa, em 2009, já não venham a ter a mesma receita (ou até nem receita). Além disso, com a alta do dólar, os jogadores que estariam sendo negociados para jogar no Brasil no ano que vem aumentaram de preço, já que os direitos federativos são negociados na moeda americana. O Corinthians é o primeiro a enfrentar o problema. Estava negociando a compra dos direitos do atacante Herrera para 2009, por 3,2 milhões de dólares. No início das negociações, esta quantia estava em torno de R$ 5 milhões; hoje teria que desembolsar mais de R$ 7 milhões.
Timemania – A situação financeira dos grandes clubes brasileiros já era crítica. As dívidas com a Receita Federal, INSS e FGTS são enormes e inviabilizavam qualquer tentativa de saneamento financeiro destes clubes. O Governo Federal, principal credor destas agremiações, criou uma loteria para que os clubes pagassem estas dívidas. Os clubes que aderiram à Timemania se comprometeram em renegociar as dívidas com o governo, em prestações mensais, pagas pela arrecadação desta loteria, e a pagar regularmente os tributos atuais.
Infelizmente, muito longe do previsto, a Timemania por enquanto é um fracasso em arrecadação. O maior problema é o do Flamengo, apesar de ser o mais apostado na loteria: negociou suas dívidas com o governo em R$ 700 mil mensais e só está arrecadando R$ 97 mil, tendo que completar esta prestação com sua parca arrecadação, que nem paga seu futebol profissional. E esta condição não é privilégio do rubro-negro. Todos os grandes clubes do Brasil estão na mesma situação, com exceção do São Paulo.
Vale dizer que o governo não está fazendo nenhum favor aos clubes, como sempre foi divulgado, pois arrecada mais que as equipes na Timemania: fica com 28% da arrecadação, enquanto todos os clubes recebem 22%, além de receber dívidas que jamais receberia caso os clubes falissem. Os problemas econômicos já são sentidos no campo: Botafogo e muitos outros já estão atrasando os salários dos jogadores em dois, três meses.
