» 2008 » outubroIsabel Kieling

Altos e baixos em campo

by Redação em 26 de outubro de 2008 | 21:00

"Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é meu lugar…". Com este refrão da música "O Portão", de Roberto Carlos, os corintianos, enlouquecidos e emocionados, comemoraram no último sábado no Pacaembu e no Brasil inteiro a volta do Corinthians à série A.

O Timão está fazendo uma campanha irrepreensível no Campeonato Brasileiro da série B. Perdeu somente duas partidas em 30 jogadas e acaba de alcançar a classificação para série A, faltando seis rodadas para o término do campeonato. Está com 70 pontos, 11 acima do segundo colocado, o Avaí. Pode conquistar o título com três rodadas de antecedência.

‘O calvário do Corinthians na série B foi suave e fácil, ao contrário de outras grandes equipes, em anos anteriores, que sofreram até o final do campeonato para subirem

O calvário do Corinthians na série B foi suave e fácil, ao contrário de outras grandes equipes, em anos anteriores, que sofreram até o final do campeonato para subirem. Foi suave porque o time, muito bem armado pelo competente Mano Menezes, não deu chance a seus adversários e já na segunda rodada assumiu a liderança da competição, colocando uma diferença de pontos inalcançável.

Mano Menezes montou um time que, se foi não brilhante, teve uma defesa firme, um meio de campo sólido e um ataque marcador, com Dentinho e Herrera. Muitos dizem que o Corinthians ainda está longe de ser um time de série A. Será? Pelo que se tem visto na primeira divisão, com os altos e baixos dos times favoritos, a equipe não estaria tão mal assim.

E a indefinição continua…

Se o Brasileirão não está bom tecnicamente, se não há craques despontando neste campeonato, se os times favoritos não confirmam seu favoritismo, não podemos dizer que não há emoção na edição de 2008. Nunca na história dos pontos corridos, o Campeonato Brasileiro foi tão emocionante e imprevisível como está sendo este ano. A seis rodadas do seu final, não há como prever quais times serão rebaixados, quais vão ficar com as vagas de Libertadores e muito menos quem vai levar o título de campeão.

Cinco times têm chance de levar a taça: Grêmio, São Paulo, Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras. Evidente que o Grêmio, líder e abrindo uma diferença de três pontos para o São Paulo, têm mais chances, mas vai jogar fora com dois concorrentes diretos – Palmeiras e Cruzeiro. Quanto às quatro vagas da Libertadores, além dos cinco que disputam o título, podemos incluir o Botafogo, ainda com alguma chance. Lá embaixo na tabela, sete times lutam para não ficar entre os quatro rebaixados.

A crise econômica atingirá o futebol no mundo todo. Já está atingido os grandes clubes europeus, principalmente os da Premier Liga da Inglaterra. São clubes privados, adquiridos por grandes investidores americanos, árabes, russos. Assim como investem em clubes de futebol, investem na bolsa. Como o futebol é um investimento com menos retorno, é o primeiro a ser descartado.

A imprensa internacional divulgou recentemente que o milionário russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, time inglês que Luis Felipe Scolari treina, teria perdido cerca de R$ 20 bilhões na bolsa. Sem contar os investidores árabes, que compraram o Manchester City, onde jogam Robinho, Jô e Elano, com a queda do preço do petróleo. O Liverpool foi comprado recentemente pelos empresários norte-americanos Tom Hicks e George Gillett, com um empréstimo de cerca de 700 milhões de euros. O financiamento foi feito pelo Wachovia, um dos bancos abatidos pela crise. A Federação de Futebol Inglesa previu que haverá falências no esporte naquele país.

As repercussões no futebol brasileiro serão muitas: talvez diminua a procura e supervalorização dos nossos jogadores e os clubes que contavam com dinheiro de vendas de jogadores para Europa, em 2009, já não venham a ter a mesma receita (ou até nem receita). Além disso, com a alta do dólar, os jogadores que estariam sendo negociados para jogar no Brasil no ano que vem aumentaram de preço, já que os direitos federativos são negociados na moeda americana. O Corinthians é o primeiro a enfrentar o problema. Estava negociando a compra dos direitos do atacante Herrera para 2009, por 3,2 milhões de dólares. No início das negociações, esta quantia estava em torno de R$ 5 milhões; hoje teria que desembolsar mais de R$ 7 milhões.

Timemania – A situação financeira dos grandes clubes brasileiros já era crítica. As dívidas com a Receita Federal, INSS e FGTS são enormes e inviabilizavam qualquer tentativa de saneamento financeiro destes clubes. O Governo Federal, principal credor destas agremiações, criou uma loteria para que os clubes pagassem estas dívidas. Os clubes que aderiram à Timemania se comprometeram em renegociar as dívidas com o governo, em prestações mensais, pagas pela arrecadação desta loteria, e a pagar regularmente os tributos atuais.

Infelizmente, muito longe do previsto, a Timemania por enquanto é um fracasso em arrecadação. O maior problema é o do Flamengo, apesar de ser o mais apostado na loteria: negociou suas dívidas com o governo em R$ 700 mil mensais e só está arrecadando R$ 97 mil, tendo que completar esta prestação com sua parca arrecadação, que nem paga seu futebol profissional. E esta condição não é privilégio do rubro-negro. Todos os grandes clubes do Brasil estão na mesma situação, com exceção do São Paulo.

Vale dizer que o governo não está fazendo nenhum favor aos clubes, como sempre foi divulgado, pois arrecada mais que as equipes na Timemania: fica com 28% da arrecadação, enquanto todos os clubes recebem 22%, além de receber dívidas que jamais receberia caso os clubes falissem. Os problemas econômicos já são sentidos no campo: Botafogo e muitos outros já estão atrasando os salários dos jogadores em dois, três meses.

Faltas e expulsões

by Redação em 19 de outubro de 2008 | 21:00

Palmeiras e São Paulo protagonizaram, neste fim de semana, um dos melhores jogos do Campeonato Brasileiro. Finalmente tivemos um jogo emocionante, cheio de alternativas, mas com erros de arbitragem, que se não chegaram a interferir no resultado do jogo, causaram danos às duas equipes. O prejudicado maior foi o Palmeiras, porque perdeu seu articulador, Diego Souza, no momento em que já tinha levado um gol.

O juiz da partida, Sálvio Spínola, exagerou na expulsão de Diego e Borges, após alguns empurrões. Expulsou os jogadores, dando cartão vermelho imediatamente. Errou o juiz, porque, tentando mostrar autoridade no início, além de prejudicar o jogo, no restante da partida teve que fazer vistas grossas para faltas violentas que deveriam ser punidas com cartão vermelho.

‘Agora, o que enlouquece mesmo os torcedores é o tal de "deixar o jogo correr". Querem imitar os juízes europeus, mas não dá.

A arbitragem brasileira está num momento ruim. Não há padronização. No lance de "bola na mão e mão na bola", então, não há quem consiga prever o que o juiz vai determinar. Ontem, por exemplo, o Fluminense foi muito prejudicado pela "interpretação do juiz": não deu um pênalti que daria vitória ao time das Laranjeiras, desesperado para fugir do rebaixamento.

Agora, o que enlouquece mesmo os torcedores é o tal de "deixar o jogo correr". Querem imitar os juízes europeus, mas não dá. Fazem uma confusão: não marcam faltas claras; os jogadores começam a exagerar nas faltas, achando que não vão ser punidos, e acabam fazendo faltas violentas que ameaçam a integridade física uns dos outros.

Pior clássico do campeonato

Não vi todos os clássicos do campeonato, mas com certeza o Flamengo e Vasco de ontem foi um dos piores de todos os tempos. Os dois times erraram muito. O Flamengo esteve muito mal, errando passes a todo instante, sem jogadas de ataque, repetindo a atuação que teve contra o Atlético-MG. Chutou apenas três vezes contra o gol do Vasco. Já a equipe cruzmaltina teve mais chances de vencer, mas como erra muito, deu a vitória ao rubro-negro com um gol contra. O técnico do Flamengo, Caio Júnior, está se perdendo com sua indecisão: ontem resolveu jogar com Obina, deixando o Vandinho no banco, que na semana passada foi considerado titular pelo próprio treinador. Não mantém o mesmo time jogando. Com a derrota do líder Grêmio e o empate entre Palmeiras e São Paulo, o Flamengo volta à disputa pelo título, mas vai ter que melhorar muito para chegar lá.

O Cruzeiro corre por fora

O Cruzeiro venceu ontem o clássico mineiro com muita facilidade. Não tomou conhecimento do Atlético, que vinha de vitória expressiva no Maracanã contra o Flamengo. Com esta vitória, o Cruzeiro fica a um ponto da liderança. Só se fala nos times de São Paulo como favoritos e do Flamengo com possibilidades, mas a verdade é que a tabela do Cruzeiro lhe é muito favorável. Das oito partidas que faltam, jogará quatro em casa, sendo que duas contra concorrentes diretos – Grêmio e Flamengo.

Deixar o jogo ou a bola correr – Vários árbitros marcam muitas faltas, apenas trombadinhas, jogo de corpo, que são disputas normais no futebol. Usam está tática para controlar melhor o jogo e os jogadores, além de se pouparem fisicamente.

‘Os jogadores brasileiros estão muito acostumados a este tipo de arbitragem e até gostam. Deixam o corpo para o adversário bater e, assim, provocarem a falta. Muitas vezes preferem a falta a continuar na jogada que pode ser até um lance de perigo

Os jogadores brasileiros estão muito acostumados a este tipo de arbitragem e até gostam. Deixam o corpo para o adversário bater e, assim, provocarem a falta. Muitas vezes preferem a falta a continuar na jogada que pode ser até um lance de perigo. Para o torcedor, um jogo paralisado a cada jogada, por faltas, é muito chato. Por achar que os campeonatos anteriores estavam muito faltosos, neste ano a Comissão de Árbitros resolveu orientar os árbitros para que deixassem o jogo correr e não marcassem estas trombadinhas e disputas mais ríspidas, como fazem os juízes na Europa. Só que os nossos juízes estão se perdendo e deixando de marcar faltas feias e os jogadores vão abusando da violência em campo. Quem leva a pior são os jogadores e os técnicos, que são caçados em campo. A falta feia, quando marcada, é punida com cartão amarelo, e não com vermelho. O vermelho só é aplicado quando há agressões fora da bola ou quando o jogador recebe o segundo amarelo.

Cartão amarelo – O cartão amarelo deve ser usado pelo árbitro para advertir os jogadores. Estas advertências são as mais comuns e fáceis de se observar em um jogo. Carrinhos laterais ou frontais que atinjam ou não o adversário, dependendo da gravidade e da intensidade, merecem o cartão vermelho direto ("carrinho" é quando o jogador desliza no gramado com uma ou as duas pernas esticadas e tenta tirar a bola do adversário. Pode se fazer um carrinho por trás ou pelos lados). Há orientação da FIFA para que o carrinho por trás seja punido com o cartão vermelho, mas no Brasil isso não é muito cumprido.

Os árbitros costumam "interpretar" e dar o amarelo:

- quando o jogador agarrar o adversário pela camisa, calção ou corpo;

- no caso de retardamento na reposição da bola pelo goleiro ou outros jogadores;

- quando o jogador coloca a mão na bola intencionalmente;

- quando há simulação de pênalti;

- no caso de reclamações, desrespeito com o adversário, juiz e companheiros de time, inclusive no banco de reservas e área de aquecimento;

- quando há comemorações de gols acintosas e desrespeitosas à torcida adversária;

- nas comemorações em que o jogador tira a camisa ou levanta para mostrar mensagens na camiseta debaixo.

Se algum jogador merecer um segundo amarelo, o juiz deve adverti-lo e logo em seguida expulsá-lo com um vermelho.

Mão na bola e bola na mão – Aqui é onde os árbitros mais erram e se valem da interpretação, muitas vezes para acomodar o jogo. "Mão na bola" é quando o jogador tem a intenção de tocar com a mão na bola. "Bola na mão" é quando a bola bate na mão ao acaso, sem intenção. A colocação dos braços do jogador serve para o juiz definir se é falta ou não. Os braços abertos são indícios de intenção. Se a bola bater no jogador com os braços abaixados normalmente o juiz dá bola na mão, até porque os braços fazem parte do corpo.

O Movimento Rosa mexeu comigo

by Redação em 13 de outubro de 2008 | 8:42

Aos cinqüenta e tantos, a visão da vida e do mundo já deixaram há muito de ser cor-de-rosa. Ter visão "rosa" me remete àquele filme "Mulheres Perfeitas" – bonecas lindas, feitas para servir. Usar rosa nem cogito. É uma cor tão de garotinha, de adolescente, de patricinha… Nossa, que preconceituosa! Por detestar qualquer tipo de preconceito, resolvi dar uma chance ao rosa. Comecei a procurar os rosados que fazem parte da minha vida. Claro, como toda mulher, pensei logo em roupas. Gosto de roupas escuras, pois escondem o excesso de peso. "Não tenho nada de rosa", disse.

Cheguei à conclusão de que o rosa não me seduz, não me fascina. Mentira! Muita mentira. Hoje, vendo a pontuação do meu time, num famoso Fantasy Game da internet do qual participo há três anos, ri muito da minha certeza. Meu time chama-se Rosa Choque. Com camisa, escudo, tudo cor-de-rosa. Fui para o meu messenger, e adivinhem: minha janela do MSN é rosa. Meu blog no MSN Spaces? Todo rosa com coraçõezinhos. E não acaba por aí. Tenho uma montanha de cortes de tecido pra fazer patchwork (arte de emendar tecidos). A maioria é rosa ou com estampas da mesma cor. Quando me lembrei das minhas bolinhas de golfe rosa, capitulei. Eu adoro rosa.Comecei a puxar lembranças do passado. O rosa participou de muitos momentos prazerosos. Meu primeiro vestido longo era rosa. Dancei a noite inteira com o primeiro amor. Lembro-me de uma roupa que eu adorava. Ganhei aos 10 anos, de presente da minha avó: uma saia curtinha de veludo azul-marinho com um conjuntinho rosa, blusa e casaquinho, de banlon (uma malha sintética super famosa no final dos anos 60).

Quando engravidei, fiz uma ultra aos cinco meses de gestação. A médica disse que era menina. Eu e minha mãe fizemos, de tricô, vários casaquinhos e sapatinhos cor-de-rosa. Acho que na época, início dos anos 80, a tecnologia não era tão precisa. Quando fiz outra ultra, com quase nove meses, apareceu lá um baita de um peruzinho. Tive que usar os casaquinhos rosa no meu meninão. Claro, criei moda para época. Era o macaquinho azul, com casaquinho e sapatinhos rosa. Não fez mal nenhum a ele. Nem faria, o preconceito é que não deixa os homens usarem essa cor. Um ou outro que use deve sempre ouvir alguma piadinha…

Imaginem que no início do ano, no Campeonato Paranaense, um zagueiro, chamado Alemão, do time Real Brasil (time novo e pobre, primeira vez na primeira divisão paranaense) jogou contra o Atlético Paranaense com chuteiras emprestadas cor-de-rosa. O destaque do jogo foram as chuteiras do pobre zagueiro. Ninguém se importou com o jogo. Somente com as chuteiras rosa e com as especulações sobre a opção sexual do jogador.

Acredito que cor é cor. O rosa, por convenção, passou a identificar o feminino. Talvez pela flor rosa, a mais linda de todas. A expressão "ver a vida em cor-de-rosa" é atribuída somente às mulheres. Coisa de "Alice". Hoje, fazemos quase tudo que os homens fazem, tanto no profissional, quanto no afetivo. Muitas vezes apelamos, querendo ser iguais aos homens em tudo. O Movimento Rosa me fez pensar no quanto a mulher de hoje perdeu a emoção, a meiguice, a pureza, a ingenuidade. Hoje, a vulgaridade assola o mundo feminino. Em busca da fama, somos melancia, melão, bundas e silicones. Ninguém namora mais; fica. O namoro já é um casamento. Enfrentam logo a rotina, a destruidora da paixão.

Vejo no Movimento Rosa uma oportunidade de resgate da verdadeira essência da mulher. Ser feminina, mas com todos os direitos iguais. Usar seu corpo com toda a liberdade – mas para a sua felicidade, não para ser usada. Amar e ser amada é o que no final importa nessa vida.

Vitória fácil

by Redação em 12 de outubro de 2008 | 21:00

Com retorno de Kaká, a seleção venceu facilmente a equipe da Venezuela. Aos 18 minutos já estava três a zero. Como diriam muitas das minhas leitoras, "não fizeram mais que a obrigação". É certo que a Venezuela é um time muito fraco, principalmente a defesa. Facilitaram muito. Não marcaram. Kaká jogou livre, coisa que não acontecia desde quando ele saiu do São Paulo. E o melhor do mundo: soube aproveitar.

Robinho não foi tão bem, mas se movimentou muito, fez dois gols – o primeiro, um "golaço". A turma contra Ronaldinho Gaúcho já se pronunciou: "Não precisamos dele". Por incrível que pareça, a defesa do Brasil teve problemas. Não sofreram gol, porque no gol estava Julio Cesar, que fez defesas monumentais. Em minha opinião, o melhor em campo.

‘Já o Flamengo, cujo presidente, Márcio Braga, declarou durante a semana passada que estava preparando a festa do hexacampeonato brasileiro, perdeu vergonhosamente para o Atlético Mineiro. Um "chocolate" de três a zero. O Flamengo não jogou nada

Cesinha, como é conhecido por muitos torcedores do Flamengo e amigos do Rio, está cada vez melhor. Com certeza, é um dos melhores goleiros do mundo, se não o melhor. É bom Dunga acertar a defesa para o jogo contra a Colômbia, no Maracanã. Não dá para admitir falhas na zaga contra um time fraco como a Venezuela. Ainda mais para o time do Brasil, que joga com três volantes e com os laterais presos. Não dá para entender como que a defesa fica tão vulnerável. Vamos ver quarta-feira contra Colômbia se o time de Dunga consegue fazer dois resultados positivos, consecutivamente, o que não acontece há muito com a seleção.

Campeonato Brasileiro

A rodada da semana do Campeonato Brasileiro recolocou o Grêmio na liderança do campeonato. O Palmeiras perdeu a posição, ao empatar com o Figueirense, em Florianópolis. Já o São Paulo e o Cruzeiro fizeram a lição de casa. Uma lição meio borrada, mas deu para a professora dar nota cinco. Os dois times tiveram muita dificuldade para vencer Náutico e Ipatinga, respectivamente. Foi somente 1 X 0.

Já o Flamengo, cujo presidente, Márcio Braga, declarou durante a semana passada que estava preparando a festa do hexacampeonato brasileiro, perdeu vergonhosamente para o Atlético Mineiro. Um "chocolate" de três a zero. O Flamengo não jogou nada. Não marcou, chutou a gol somente uma vez. Vários jogadores importantes não fizeram nada: Marcelinho, Ibson, Leonardo Moura, Kleberson e os outros, então, nem pensar! Não podemos racionalmente imputar a péssima partida, às declarações desastrosas do presidente do Flamengo. Mas que dá azar, isto dá. Lembram da festa dele antes do jogo do América do México, pela Libertadores? O Flamengo podia perder por dois a zero e acabou perdendo de três na frente de imensa torcida, sendo eliminado da competição, tão importante em termos de prestígio e dinheiro.

A verdade é que o time jogou muito mal, ajudado pelas equivocadas substituições do seu técnico, Caio Junior. Começou errando feio ao escalar Sambueza no lugar de Juan, que está na seleção. Inventou muito. Colocar um "meia" na lateral é demais. Todo meio de campo não estava jogando, mas substituir o Kleberson, antes do final do primeiro tempo, por Erick Flores, um menino que nem vem atuando? Realmente, Caio Junior é o principal responsável pela derrota.

Estou terminando de escrever a coluna e o presidente do Flamengo, Márcio Braga, declarou que o título do Campeonato Brasileiro agora é impossível. Não dá para acreditar que um clube como o Flamengo ainda tenha um presidente tão amador.

Zona do rebaixamento

O Fluminense parece que começa a dar sinal de vida. Saiu da "zona da degola" com uma boa vitória em Curitiba. Jogo importante, que colocou o adversário, Atlético Paranaense, na zona de rebaixamento. Seu técnico, René Simões, se utiliza da leitura de livros de auto-ajuda e da palestra "incomodacional", inventada por ele. Não faz palestras motivacionais com os jogadores. Suas palestras de trinta minutos objetivam deixar os jogadores incomodados com a situação que vivem no campeonato para que façam o máximo para sairem dela.

Explicadinho…

Chocolate: é uma goleada. De três gols para cima. Também é conhecida como "totó", surra, "sapeca Iaiá" (sempre citada pelo comentarista Paulo Cesar Vasconcelos).

Para aonde foi o dinheiro?

by Redação em 6 de outubro de 2008 | 21:00

Falamos aqui e muita gente falou sobre os péssimos resultados do Brasil nas Olimpíadas de Pequim. Vimos que algumas Federações recebem muito do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), através da Lei Piva, sem resultado nenhum – e o que é pior: as que deram bons resultados recebem muito pouco. Houve muito questionamento no final dos Jogos, mas até hoje sem resposta do COB, sobre quais seriam os critérios usados para a distribuição dos recursos, calculados em torno de R$ 690 milhões. Dinheiro público, meu, seu, nosso, de todos os brasileiros.

‘Houve muito questionamento no final dos Jogos, mas até hoje sem resposta do COB, sobre quais seriam os critérios usados para a distribuição dos recursos, calculados em torno de R$ 690 milhões

O Tribunal de Contas da União, em relatório divulgado recentemente, criticou os gastos excessivos com o Pan por parte dos governos e do COB, ocasionados por erros na organização do evento. O ministro-relator Marcos Vinícios Vilaça disse que a infra-estrutura carioca não se beneficiou com o Panamericano. O impressionante é o custo calculado pelo TCU da diária de cada atleta: R$ 1.137/dia. Dizem que nem no Copacabana Palace custaria isto! E o preço de cada refeição? R$ 150. Dá para jantar nos melhores restaurantes da cidade, com vinho indicado por Sonia Melier…

Ninguém responsável explica. Numa entrevista recente, o Ministro dos Esportes disse que todo valor investido pelo Governo Federal já teve as contas prestadas e foi explicado ao TCU. Fez questão de dizer "que a verba federal utilizada no Pan foi maior que a que o governo desejava, porque o nome do país estava em jogo". Falou também que os convênios feitos para o Pan com Estado e Município terão prestação de contas.

O Comitê Olímpico Brasileiro ainda não deu as devidas explicações. Seu presidente, Carlos Artur Nuzman, com medo da oposição das pequenas federações, correu para antecipar sua eleição, com ações suspeitas: convocação tardia de algumas confederações e federações e publicação do edital em jornais de menor circulação, sem mencionar à imprensa, como faz quando quer divulgar seus projetos. É claro que nesta eleição secreta e de chapa única, Nuzman foi eleito pela quarta vez, para mais quatro anos. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, entrou em confronto com o COB, pedindo a anulação das eleições. Aproveitou a atenção da mídia para dizer que o pessoal do COB "quer o futebol fora do esporte olímpico" e que em Pequim "eles só apareceram nos jogos da seleção para tirar nosso emblema das camisetas dos jogadores".

No Brasil, as federações, confederações e o COB são entidades independentes e regidas por seus próprios regulamentos. Não podem sofrer intervenções nem fiscalização governamental. Somente seus filiados podem intervir. Essa regulamentação é altamente democrática, não fosse a nossa grande vocação para cartolagem, que acaba distorcendo as qualidades deste sistema. O democrático se torna um processo bem ditatorial: um grupo de aliados, favorecidos pelas maiores verbas, perpetuando uma mesma pessoa no poder.

Campeonato Brasileiro

Após a rodada desta semana, já sabemos quem briga pelo título do Brasileirão: Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro, Flamengo e São Paulo. Os dois primeiros com mais chances matematicamente, mas sabemos que Cruzeiro, Flamengo, e São Paulo ainda podem, sim, almejar a Taça, pois estão a apenas quatro pontos dos líderes. Podemos falar em líder no plural, apesar de a imprensa paulista insistir no primeiro lugar do Palmeiras. Isso porque o Grêmio está com o mesmo número de pontos e só perde por tem uma vitória a menos. O campeonato será decidido no detalhe, assim como as vagas da Libertadores. Esta, sim, com mais clubes com chances – acredito que a disputa vá até o Coritiba, embora até o Inter ainda tenha chances matemáticas. As vagas da Libertadores também devem ficar entre os mesmos cinco primeiros que disputam o título.

‘O campeonato será decidido no detalhe, assim como as vagas da Libertadores

Na parte de baixo da tabela, a coisa está muito difícil para Vasco e Fluminense. Acredito no rebaixamento do Vasco, pelo que vem fazendo em campo e ainda pela tabela difícil que a equipe tem pela frente. A situação do Fluminense também é difícil, mas como trocou de técnico novamente, pode ser que se anime. A possibilidade do rebaixamento vai até o Santos, com 34 pontos, já que o divisor de águas desse campeonato, o Sport, está com 39 pontos. O Sport está entre os que podem alcançar a Libertadores e os que podem cair para a segunda divisão. Claro, tudo isto matematicamente falando. O Sport está no "limbo" do campeonato, como se diz. Não consegue mais o título, mas já está classificado para a Libertadores (é campeão da Copa do Brasil) e não corre perigo de cair. Só que o Sport é um time bom e continua apavorando muita gente neste brasileirão, tanto os que estão lá em cima, que não podem perder pontos, quantos os lá de baixo, que precisam se recuperar.



perfil

Isabel Kieling é gaúcha, moradora apaixonada do Rio de Janeiro, e jornalista de formação. E, contrariando o senso comum, entende muito de futebol. Por isso, inaugura a nossa mesa redonda virtual para comentar os melhores lances dos esportes e dos atletas – claro. Mas ela também bate a sua bolinha – só que a de golfe! Isabel também é golfista, e atualmente luta para sair das últimas posições do ranking.