» 2008 » julhoIsabel Kieling

Cavalo paraguaio

by Redação em 28 de julho de 2008 | 21:00

O Flamengo já está dando alguns sinais de ser forte candidato a "cavalo paraguaio" do Campeonato. Nas últimas quatro partidas, de doze pontos disputados, conseguiu apenas dois, mas continua na ponta, agora na vice-liderança. Cedeu, a duas rodadas, a liderança para o Grêmio.

É verdade também que o Flamengo já perdeu Marcinho, Renato Augusto e Souza pra "janela" do campeonato europeu. Todos, jogadores de ataque e criação. Caio Junior, técnico do Fla, não está conseguindo, com elenco disponível, substituir à altura principalmente o Marcinho. E a direção do clube não está agindo rapidamente para contratar reforços. Verdade é que o ataque do Flamengo não faz gols. Os últimos foram feitos por jogadores da defesa e do meio de campo.

‘A diferença entre o décimo colocado e o primeiro na vaga da Libertadores é de apenas seis pontos

Também se pode dizer que este ano não haverá "cavalo paraguaio" no Campeonato Brasileiro, porque na era dos pontos corridos ainda não tivemos um campeonato tão disputado. Nenhum dos times se sobressai aos demais. Quando se pensava que o Flamengo ia disparar, começou a perder pontos.

Nenhum time desse campeonato tem conseguido vitórias seguidas fora de casa. São raras. Os que estão na frente estão fazendo a lição de casa, adicionando pontos com vitórias fora de casa somente contra os times ditos mais fracos. A diferença entre o décimo colocado e o primeiro na vaga da Libertadores é de apenas seis pontos. Na frente, estão todos embolados. Do líder até o quarto na tabela, todos têm oito vitórias no campeonato.

CAVALO PARAGUAIO – Expressão muito usada no futebol. Vem do turfe. Nome dado a um cavalo que dispara no início do páreo e, lá pela metade, começa a perder a força, sendo ultrapassado pelos concorrentes e acabando nas últimas posições. Chama-se paraguaio (longe de preconceito com nossos vizinhos do Paraguai) por causa dos produtos falsificados, principalmente uísque, que eram vendidos (hoje também são, mas nem tão falsos) na fronteira com o Paraguai, em Foz do Iguaçu.

‘Até o presidente Lula se disse preocupado com o atacante Dentinho do seu time do coração, Corinthians. Já há rumores que clubes europeus estão interessados no goleador do timão

JANELA DO CAMPEONATO EUROPEU – Além da famosa janela européia, temos também uma porta no Oriente Médio, e ambos já abriram a temporada de "caça" aos nossos jogadores. O calendário do futebol brasileiro é diferente do europeu. Lá, a temporada inicia no final de agosto, e engloba dois anos (vai de agosto de 2008 a junho de 2009). Julho/agosto é o período em que os times europeus, cheios de euro, vêm ao Brasil para comprar os nossos melhores jogadores, desfalcando nossos times no Campeonato Brasileiro. Sem contar o Oriente Médio, cheio de petrodólares, que também está querendo crescer no futebol.

Este ano já perdemos Fernandão (Internacional), Marcinho, Renato Augusto e Souza (Flamengo), Roger (Grêmio), Cícero e Gabriel (Fluminense), Henrique (Palmeiras). Até nossos técnicos não estão escapando. Vamos perder muitos mais jogadores depois das Olimpíadas. Da seleção olímpica, tirando os que já jogam na Europa, quase todos serão vendidos, porque a janela só termina em 31 de agosto. Até o presidente Lula se disse preocupado com o atacante Dentinho do seu time do coração, Corinthians. Já há rumores que clubes europeus estão interessados no goleador do timão.

JOGADORES DE ATAQUE – são os jogadores com a função de finalizar as jogadas e fazer os gols. O mais específico é o centro-avante. Geralmente é um jogador de grande porte físico. Joga entre os zagueiros, cabeceia as bolas alçadas na área e trabalha também de pivô, de costas para o gol, passando a bola aos meias ou volantes, que podem criar jogadas agudas ou chutarem de frente para o gol. Os mais conhecidos: Romário, Ronaldo, o fenômeno, Adriano do Milan, Drogba (Chelsea), No campeonato brasileiro de 2008: Alex Mineiro (Palmeiras), Obina (Flamengo) Kleber Pereira (Santos), Washington (Fluminense), Dentinho (Corinthians), Aloísio (São Paulo).

Importantíssimos no ataque e para o time todo são os segundos atacantes, como são conhecidos hoje. Já foram chamados de ponta de lança. Também eram os famosos "pontas" que saíram de moda, já que os novos esquemas táticos valorizam mais a defesa e priorizam a povoação do meio de campo. Ex: Robinho (Real Madrid), Messi (Barcelona), os nossos maiores jogadores de todos os tempos eram segundos atacantes: Pelé e Garrincha. No Campeonato Brasileiro temos: Dodô (Fluminense), Denílson (Palmeiras) Borges (São Paulo).

A rainha da praia vai a Pequim

by Redação em 21 de julho de 2008 | 21:00

Fui recebida, para fazer essa entrevista, por uma moça bonita com um grande sorriso, do alto de seus 1,81cm. Simpática é pouco para se falar de Talita. Inteligente, meiga, ciente da sua responsabilidade e muito determinada, junto com sua parceira Renata Ribeiro, a fazer de tudo para ganhar uma medalha pro Brasil no vôlei de praia feminino.

Veja algumas fotos feitas na casa de Talita Antunes

No meio da sala da jogadora, a mala do COB, lotada de uniformes que deverão ser usados nas quadras de areia de Pequim e na Vila Olímpica. Talita é de Aquidauana, Mato Grosso do Sul e tem 25 anos. Conquistou o título de Rainha da Praia na décima edição de um badalado torneio realizado no início do ano na praia de Ipanema, Rio de Janeiro. Ao final do torneio, Talita e Renata jogaram e ganharam da dupla americana Misty May-Treanor e Nicole Branagh o Desafio das Rainhas.

Como você começou a jogar vôlei? Foi direto na praia?

Comecei jogar na quadra com 14 anos. Sou do Mato Grosso do Sul. Até me perguntam como posso jogar vôlei de praia se sou de um estado sem praias. Fui convidada para jogar vôlei de quadra em Maceió, em 1999. Era para jogar um torneio só por Alagoas. Fiquei três anos. Jogava vôlei na praia de brincadeira nos finais de semana e jogava torneio nas quadras. No final de 2000, comecei a jogar na praia e me revezava entre quadra e praia. Em 2001 parei com as quadras e fiquei direto na praia. Tive muita ajuda da Federação de Alagoas. Em 2002, vim para o Rio de Janeiro a convite da Jaqueline Silva, para formar dupla com ela. Ela se machucou e acabei fazendo dupla com a Renata.

Porque escolheu a praia?

Resolvi ir para a praia porque gostei mais de jogar em dupla, de um grupo pequeno. Teve uma época que fui para a seleção infanto de quadra. Você fica três meses em concentração treinando. Achava as concentrações de quadra muito sacrificantes. Lidar com doze, quinze meninas é difícil. Grupo é muito desgastante. Nas quadras, teria que ir pra São Paulo, onde estão os maiores time da liga do vôlei de quadra. Eu tinha medo da cidade grande e achava que não ia me adaptar nunca. Não que o vôlei de praia não seja desgastante. Tem muito mais torneios na praia, mas me adaptei melhor.

Como foi seu encontro com a Renata?

Foi no circuito. Todo mundo se conhece. As duplas são formadas assim, no circuito mesmo. Vai pela afinidade, amizade. E a parte técnica é super importante também. O que conta é ser profissional. Na nossa dupla, eu sou mais bloqueio e ataque, a Renata defesa.

Você é solteira? E a Renata?

Solteira sim, sozinha não. A Renata é casada.

Como é ter que conviver o tempo todo com uma mesma pessoa?

É como se fosse um casamento. Acabo passando com ela mais tempo do que o marido dela, por causa das viagens. Você tem que ter respeito e abrir mão de algumas coisas. Eu sou completamente diferente da Renata. Mas convivemos bem. Críticas, cobranças fazem parte da nossa dupla. A gente briga no esporte, mas é normal, faz parte do "jogar". Nós nos respeitamos e as críticas são para melhorar o desempenho.

Vocês têm treinador? Como é o treinamento?

Temos treinador, preparador físico, fisioterapeuta. Há pessoas que ajudam no treino. Treinamos em Ipanema, onde é o centro de treinamento do nosso técnico, Abel Martins. No início de temporada a gente treina pela manhã e à tarde. Agora para as Olimpíadas a gente está treinando pesado. Fisioterapia, academia, treino e descanso. Oito horas por dia.

Vocês têm uma alimentação especial?

Nós temos nutricionista. Na pré-temporada é a pior época do ano. Temos que radicalizar. Vivemos numa dieta contínua. Agora, por exemplo, para as Olimpíadas, temos que dormir para não sentir fome.

Dá para viver do vôlei?

Patrocínio não é fácil. No Brasil, agora é que o vôlei está aparecendo mais. As medalhas, por causa do masculino, da maior divulgação do esporte, as três primeiras no ranking nacional são as que conseguem patrocínio. É muito difícil, para as duplas novas, iniciar. Elas têm que custear suas despesas de 12 etapas pelo Brasil todo, sem contar os torneios classificatórios para o Circuito Mundial.

A Confederação ajuda vocês?

A gente teve ajuda, sim, no circuito mundial. Mas no vôlei de praia são mais os patrocinadores. A nossa confederação ajuda muito organizando os torneios. Ela é muito organizada. Nós temos o melhor circuito de praia do mundo. Dezesseis torneios por ano.

Vocês esperavam essa classificação para as Olimpíadas?

O Brasil tinha muito bons times. Só que Adriana e Shelda foram decaindo, numa decrescente, oque é natural com a passagem do tempo. Em 2005 elas ainda estavam no topo, quando iniciamos a dupla. A gente esperava ir às Olimpíadas em 2012. Aconteceu tudo muito rápido. Em 2006, a gente já foi bem. Em 2007 continuamos bem. E os resultados foram acontecendo. A Shelda e Adriana ainda estavam tentando. Quando a Adriana resolveu parar, Shelda formou uma nova dupla com Ana Paula para continuar tentando a classificação. Nós estávamos com bons resultados, mas precisávamos esperar a pontuação até sermos matematicamente classificadas. Aí, em Moscou, conseguimos a classificação. Nem jogamos a última etapa.

Vocês estão sentindo uma pressão maior por medalha, já que a Juliana, da dupla número um, se machucou e está lutando para jogar bem em Pequim?

É, todo mundo pergunta isso. É difícil não rolar pressão. O Brasil é um país de difícil classificação, de muita tradição no vôlei de praia. Mas o torneio olímpico, segundo todos os atletas que foram, é um torneio como outro qualquer. Até mais fácil, porque no início você pode pegar duplas de países que não têm tanta tradição. Não têm todas as melhores duplas de cada país. São só duas de cada, 24 duplas. Quando você joga um torneio do circuito mundial, são 32 duplas. As quatro melhores de cada país estão lá.

A energia é que é diferente numa Olimpíada. O mundo inteiro está olhando o evento. No nosso esporte – em todos, acho, excetuando o futebol – as Olimpíadas são o ápice. A gente sabe de tudo isso. Se você tem seus sonhos e objetivos dentro do seu esporte, chegar às olimpíadas é a meta máxima. Estamos tranqüilas e faremos o melhor que pudermos.

O que uma medalha Olímpica vai representar para você?

Primeiramente, será o reconhecimento do meu trabalho. E a concretização de um sonho. Quando você tem uma carreira no esporte você sonha com o máximo: ir a uma Olimpíada e ganhar uma medalha lá. Nossa primeira meta já foi atingida. Vamos lutar pela medalha.

Você já se imaginou decidindo a medalha de ouro?

O primeiro jogo vai ser o mais difícil. Já me imaginei fazendo todos os jogos, do primeiro ao último. Essa Olimpíada será a mais disputada no vôlei de praia feminino. São nove times que têm condições de chegar. Nas Olimpíadas anteriores havia quatro duplas que poderiam chegar. No ano passado, oito duplas diferentes ganharam os torneiros da liga mundial. Todo mundo está tecnicamente muito bem. Todo o circuito acredita que as seis cabeças de chave podem chegar (as duas duplas brasileiras são cabeças de chave). Tecnicamente e fisicamente, todo mundo está preparado. O que vai fazer diferença é o psicológico.

Vocês acham que a poluição de Pequim pode atrapalhar?

Fizemos testes em Saquarema para ver a reação à poluição. A gente acredita que não fará grande diferença. Não tive reação nenhuma no teste. Eu até estava com medo, porque sou alérgica. A gente se adapta muito fácil, porque na nossa competição, na Liga Mundial, tem a etapa de Xangai.

E as viagens? Dá para curtir, conhecer alguma coisa?

O torneio da Liga Mundial começa quarta-feira e a gente chega na segunda, pois no vôlei de praia não dá tempo pra gente chegar com antecedência. É uma etapa atrás da outra. Se você joga até o final de cada torneio, fica difícil de curtir o local onde se está. É a diferença das Olimpíadas. Num torneio do circuito, a gente joga sete jogos em três dias. Nas Olimpíadas, a gente vai jogar os sete jogos em quinze dias. Vai ser mais tranqüilo. Talvez dê para conhecer mais um pouco de Pequim.

Você estuda?

Comecei a faculdade de Educação Física em Maceió. Estou continuando aqui no Rio. Vou fazendo aos poucos. Faço um período, algumas matérias. Eu tenho várias turmas. Os colegas de faculdade já sabem.

O que você faz nas horas de lazer?

Gosto de ir ao cinema, sair para jantar, receber os amigos. Para outro esporte, como lazer, não levo jeito nenhum. Tem pessoas que são talentosas e jogam de tudo. Eu não.

Você não é daquelas que, nas suas horas de lazer, joga vôlei?

Eu até brinco: "Me chamem para tudo, menos para jogar uma pelada de vôlei"! Vôlei pra mim só profissionalmente.

Você sente falta da família?

Sinto falta, sim. São dez anos fora de casa, sozinha. Hoje eu convivo melhor com isso. No começo, eu sentia muita falta da minha mãe me cuidando. Sempre que posso, se tenho uma folga, vou para a casa dos meus pais em Mato Grosso do Sul. Ou então, se vou ficar direto no Rio, minha mãe vem. E tenho uma irmã de 14 anos que sempre vem nas férias.

Por serem super saradas, bonitas e bronzeadas, as jogadoras de vôlei de praia são quase símbolos sexuais. Vocês são muito assediadas?

É… Bem, ouvimos muitas coisas. Mas dentro do circuito não. Nossos colegas homens estão acostumados com a gente e nos tratam como profissionais.

Você já recebeu algum convite para fazer ensaios sensuais ou posar nua?

Não, ainda não. Não tenho nada contra, mas prefiro pensar que vou ganhar dinheiro jogando vôlei.

Você acha que hoje as meninas já pensam no vôlei como uma profissão? Já há aquele pensamento "quando crescer vou ser jogadora de vôlei de praia"? Com você foi assim?

Eu acredito que sim. Desde criança gostei de esportes. Tem um tio que é técnico de vôlei. Comecei a jogar vôlei por influência dele. Quando criança, era muito competitiva e não gostava de perder. Eu era exigente comigo mesma. Sempre procurava melhorar, treinar. Sempre trabalhei para ser a melhor do time em que estava. Mas não achava que ia ser minha profissão. As coisas foram acontecendo e comecei a ver que dava para viver do vôlei.

Quais os planos para o futuro, depois das Olimpíadas?

Continuar jogando em alto nível e parar quando sentir que não dá para o acompanhar esse nível. Até quando eu possa competir bem. Eu quero parar feliz.

Hora do adeus

by Redação em 14 de julho de 2008 | 21:00

A grande jogadora de vôlei, capitã da Seleção Brasileira Feminina, Fofão está se despedindo das quadras em alto nível. O time de José Roberto Guimarães acaba de conquistar o título do Gran Prix de Vôlei Feminino e Fofão foi eleita a melhor levantadora da competição. Fofão, que se chama Helia Souza, a melhor levantadora do mundo na atualidade, está se despedindo tal como foi sua trajetória primorosa na seleção: sem alarde, sem grandes badalações na mídia.

Humilde, centrada na equipe, eterna "banco" de Fernanda Venturini, tentou se aposentar logo após as Olimpíadas de Atenas, quando o Brasil perdeu de maneira incrível na semifinal para a Rússia (ganhava de 2×0, esteve para fechar a partida no terceiro set e acabou perdendo de 3 x 2). Ganhou um ano de folga, mas atendendo a solicitação do técnico da seleção retornou em 2005.

‘No início deste ano, antes da convocação para Pequim, Fernanda Venturini tentou retornar à seleção. De uma maneira até arrogante, tentou se autoconvocar, dizendo-se a melhor

Fez sua estréia na Seleção em 1991, no ano do Pan de Havana. Substituiu Fernanda Venturini, que deixou as quadras em 1998. Como titular foi uma das jogadoras mais importantes na conquista do bronze na Olimpíada de Sydney-2000. Com a volta de Fernanda Venturini à seleção em 2003, novamente Fofão retornou para a reserva. Do banco, viu o time ganhar o Gran Prix de 2004 e fracassar na Olimpíada de Atenas.

No ano passado, com o fracasso no Pan, Fofão tentou deixar novamente a seleção, mas com novos apelos do técnico e superando as lesões, retornou então para fazer sua última temporada na seleção.

No início deste ano, antes da convocação para Pequim, Fernanda Venturini tentou retornar à seleção. De uma maneira até arrogante, tentou se autoconvocar, dizendo-se a melhor. Fofão, com uma postura voltada para o grupo, apesar dos desmentidos, ameaçou deixar a seleção, caso Venturini voltasse. Fato que, verdade ou mentira, seria uma postura adequada de uma capitã com seu grupo. Felizmente, o técnico José Roberto acabou com as especulações não convocando Fernanda, confirmando suas declarações anteriores.

É verdade que Fernanda Venturini foi excepcional jogadora, talvez a melhor levantadora de todos os tempos, deu muito à seleção, mas seu retorno logo na competição mais importante, a Olimpíada, não seria justo nem com Fofão e nem com a jogadora que teria que ser cortada para lhe dar a vaga.

A seleção deve muito a Fofão. É o momento de homenageá-la por sua dedicação, garra, força e determinação que aos 38 anos ainda lhe dá motivação para jogar uma Olimpíada em alto nível.

PERFIL

NOME COMPLETO: Hélia Rogério de Souza Pinto

DATA E LOCAL DE NASCIMENTO: 10/03/1970, em São Paulo (SP)

ESTADO CIVIL: Casada, sem filhos (ainda)

APELIDO: Fofão, porque quando era menor nas categorias de base, tinha as bochechas iguais às do Fofão, personagem do Balão Mágico, programa de sucesso entre as crianças nos anos 80.

PRINCIPAIS TÍTULOS:

Ouro nos Grand Prix de 1994, 96, 98, 2004, 2006 e 2008

Ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1999

Prata nos Grand Prix de 1995, 1999 (melhor levantadora)

Prata nos Mundiais de 1994 e 2006

Prata nas Copas do Mundo de 1995, 2003 e 2007

Prata nos Jogos Pan-Americanos de 2007

Bronze nas Olimpíadas de Atlanta 1996 e Sydney 2000 (melhor levantadora)

Bronze na Copa do Mundo de 1999

Bronze no Grand Prix de 2000 (melhor levantadora)

Caio Junior, técnico do Flamengo, está decidindo entre os petrodólares do Qatar e a possibilidade de ser Campeão Brasileiro com o Flamengo. Talvez, quando essa coluna for ao ar, já tenha até decidido*.

É muito difícil a escolha. Por um lado, é a grande oportunidade financeira, por outro, a chance de ser campeão brasileiro (pelo menos é a perspectiva do rubro-negro, já que a campanha é impressionante e é a melhor da era dos pontos corridos). Ele deve arriscar e investir na sua carreira como técnico, ficando na Gávea, ou investir na sua conta bancária?

Não podemos julgar, porque hoje no futebol o que conta são os investidores. Ainda mais com a abertura de novas praças, como o Oriente. Por mais vontade que o profissional brasileiro – tanto jogadores quanto técnicos – tenha de ficar atuando aqui, é quase impossível resistir ao aceno dos dólares e euros. E já não está acontecendo somente no futebol. No futsal, no vôlei, no basquete. A verdade é que o esporte competitivo é muito valorizado. É um produto de muito valor na economia global. E nós, brasileiros, com nossa habilidade, mas num ambiente de esporte muito desvalorizado, somos alvo fácil.

* Caio Junior disse à torcida rubro-negra que fica!

Maracanazo

by Redação em 7 de julho de 2008 | 21:00

É impressionante a vocação do Maracanã para tragédias no futebol. O início dessa história acontece na Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil. Na partida final, com 200 mil pessoas presentes no estádio, o Brasil jogava contra o Uruguai por um empate para ser campeão do mundo pela primeira vez. Houve muito "oba, oba", muita festa antecipada. O Brasil tinha um timaço, superior ao do Uruguai. A equipe brasileira entrou de "salto alto" (expressão usada quando o time "se acha" e menospreza o adversário). Até os 35 minutos do segundo tempo empatava em 1 x 1 com Uruguai, quando um jogador uruguaio, chamado Gigghia, fez uma bela jogada pela direita e marcou 2 x 1. Daí pra frente foi só desespero, e o Brasil perdeu a Copa em casa. Foi uma comoção nacional.

Outras derrotas impressionantes se seguiram. Botafogo, Flamengo e Fluminense perderam finais de Copa do Brasil, com o Maracanã cheio, para times nem tão tradicionais do Brasil. O Vasco perdeu, nos pênaltis para o Corinthians, o primeiro Campeonato Mundial de Clubes FIFA. Até o Bangu perdeu um Campeonato Brasileiro para o Coritiba, também nos pênaltis.

‘O Brasil já quebrou o recorde de participação feminina, com as últimas classificações da natação. Até o momento, o país tem 127 mulheres atletas classificadas para os Jogos Olímpicos de Pequim.

Este ano a sina do Maracanã voltou com força total. O "mico" do ano foi proporcionado pelo Flamengo, na Libertadores. Tinha uma enorme vantagem sobre o América do México, poderia perder até por 2×0. Já estavam comemorando a classificação e não deu outra: o time mexicano fez 3×0 no Maracanã.

E a recente tragédia foi a da última quarta-feira, presenciada por 80 mil torcedores tricolores. A tarefa do Fluminense contra a LDU (Liga Deportiva Universitária) era difícil, mas não impossível. Conseguiram ir até os pênaltis e perderam com cobranças bisonhas dos três melhores jogadores do time tricolor. Deu dó ver aquelas milhares de crianças e jovens chorando. É certo que é somente futebol. Os problemas que tínhamos antes da partida retornaram logo após. A vida segue, mas as crianças não entendem muito isso. Não aceitam a derrota.

Claro que Flamengo e Fluminense ganharam títulos no Maracanã (campeonatos brasileiros de 83 e 84), mas os maiores títulos do Flamengo foram conquistados fora. Recentemente, o Fluminense conquistou a Copa do Brasil em Florianópolis. Os recentes títulos do Vasco foram conquistados em São Januário. Parece que o Maracanã pune o favoritismo excessivo e "oba, oba". Temos que nos preparar para a Copa de 2014. A final, provavelmente, será no Maracanã.

CAMPEONATO BRASILEIRO

A partir desta semana, o Campeonato Brasileiro vai dar uma acelerada. Teremos rodadas no meio da semana. Quartas e quintas. Preparem-se meninas: os rapazes estarão um pouco menos disponíveis. O jeito é acompanhar também e relaxar com a overdose de futebol.

JOGOS OLÍMPICOS DE PEQUIM

O Brasil já quebrou o recorde de participação feminina, com as últimas classificações da natação. Até o momento, o país tem 127 mulheres atletas classificadas para os Jogos Olímpicos de Pequim. O recorde anterior era dos Jogos de Atenas 2004, quando o Brasil participou da competição com 122 mulheres. São 270 atletas brasileiros classificados até o momento entre homens e mulheres. A primeira mulher brasileira a participar de uma edição de Jogos Olímpicos foi a nadadora Maria Lenk, em Los Angeles 1932.

MARACANAZO – expressão inventada pelos uruguaios, quando venceram o Brasil na final da Copa de 1950, no Maracanã. Significa uma vitória épica no maior e mais famoso estádio do mundo. A expressão voltou à moda com a derrota do Flamengo para o América do México. A imprensa e jogadores do time mexicano repetiram a palavra maracanazo, pelo tamanho da vitória. Estavam praticamente eliminados e conseguiram inverter a situação.

Nesta última quinta voltou o Maracanazo à boca dos jogadores e aos jornais equatorianos, com a conquista da Libertadores pela LDU em cima do Fluminense em pleno Maracanã lotado.

‘Além da final da Copa de 1950, a seleção Brasileira fez grandes jogos nesse estádio. O Maracanã assistiu o Rei do Futebol, Pelé, fazer o seu milésimo gol

MARACANÃ – Estádio Municipal Mário Filho, localizado no Rio de Janeiro, foi construído para a Copa do Mundo de 1950. Mário Filho foi grande jornalista da época, irmão de Nelson Rodrigues, incentivador da construção do estádio.

A origem do nome Maracanã vem do tupi-guarani que significa "semelhante a um chocalho". Antes da construção do estádio, existia no local grande quantidade de aves vindas do norte do país, chamadas Maracanã-guaçu, que emitiam sons semelhantes ao de um chocalho.

O maior público no Maracanã aconteceu em 31 de agosto de 1969, na Partida Brasil 1x 0 Uruguai, 183.341 pagantes. Depois da reforma para o Pan-Americano de 2007, adaptando-se às exigências da FIFA (Federação Internacional de Futebol e Associação), o número de lugares disponíveis hoje é de 88.992.

A mística do Maracanã vem dos grandes jogos realizados lá. Além da final da Copa de 1950, a seleção Brasileira fez grandes jogos nesse estádio. O Maracanã assistiu o Rei do Futebol, Pelé, fazer o seu milésimo gol.

O maior goleador do Maracanã foi Zico, grande jogador do Flamengo e Seleção Brasileira, com 333 gols em 435 partidas.

Além dos jogos de futebol, o estádio Mario filho foi palco do grande inesquecível desafio de vôlei entre Brasil e URSS (União Soviética, na época) e de muitos shows inesquecíveis, como os de Frank Sinatra, Tina Turner, Madonna, Rolling Stones, Paul McCartney e muitos outros.



perfil

Isabel Kieling é gaúcha, moradora apaixonada do Rio de Janeiro, e jornalista de formação. E, contrariando o senso comum, entende muito de futebol. Por isso, inaugura a nossa mesa redonda virtual para comentar os melhores lances dos esportes e dos atletas – claro. Mas ela também bate a sua bolinha – só que a de golfe! Isabel também é golfista, e atualmente luta para sair das últimas posições do ranking.