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Vale por um dia

Com um vale, eu reveria uma pessoa importante em minha vida, sem medo de sofrer…

by Beth Valentim em setembro 14, 2010 | 11:01 am

Eu queria ter o vale por um dia para abraçar o mundo. Nem consigo arrumar os pensamentos que chegam aos borbotões para priorizar os distintos. Mas vou tentar ser menos princesa e mais racional, ufa que dificuldade para entender que itens seriam os melhores para viver se eu ganhasse o tal vale.

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O mínimo é o máximo no desejo

Desejo tem que ser cuidado. Ele esnoba você quando está descansada e não protege o corpo, a alma, o coração.

by Beth Valentim em junho 11, 2010 | 12:38 pm

Como avaliar o desejo se ele não tem forma nem o quantitativo explícito que gostaríamos de pegar, apalpar. Mas pode provocar. É possível nos fazer felizes, amortecidas das dores das desilusões. Seja como for, mesmo em seu mínimo, ele é o máximo. Provoca. Supera a saudade, porque por instantes a vida se torna translúcida. Estonteante. Mais do que brilhante nos corpos de quem consegue driblar os medos, quem sabe os dogmas, padrões mofados, embolorados. + Leia mais

Enquanto eu não tiver um grande amor

Uma guerreira pode tudo, até vencer uma grande saudade

by Beth Valentim em março 26, 2010 | 4:07 pm

Às vezes a gente pensa que está com tudo no amor. Que os sentimentos são únicos, que ninguém poderia viver algo assim, senão você e ele. E de repente os caminhos tomam rumos diferentes. Você se descobre outra pessoa e ele talvez, quem sabe, também. Mas a verdade é que a conclusão é o fim.

Só resta sonhar… + Leia mais

Onde mora o desejo

Nenhuma técnica consegue arrebatar a verdade: o ponto G é nos ouvidos

by Beth Valentim em janeiro 8, 2010 | 12:36 pm

Mulher tem um encanto tão delicado. É capaz de se perfumar a noite para um fantasma. O que gostaria que dividisse sua cama. Que lhe penetrasse a vida e descobrisse os seus desejos. Que lhe tomasse nos braços e levasse sua alma até as estrelas. + Leia mais

Amor hipócrita

by Beth Valentim em outubro 15, 2009 | 4:22 pm

Que existem vários tipos de amor, isso tenho certeza. Não podemos amar várias pessoas igualmente e, de repente, aquele amor que ardia a carne em chamas perde a pressão e outro vem oferecer muita paz. Qual o melhor? Isso não existe. Cada um tem o seu sabor e o tom para a vida. Mas tem o que mexe com a história individual e pode fazer com que jamais se esqueça a dor que foi lançada no coração. O nome dele? Amor hipócrita. E como seria esse amor que mais parece desamor?

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Coração maior do mundo

by Beth Valentim em agosto 27, 2009 | 9:00 pm

Eu queria ter o coração maior do mundo. Nele caberia tudo ou quase tudo. Poderia abrigar diversos sentimentos: saber perder, ficar feliz quando ganhar e não com medo da conquista escapar. Colecionar potes de segurança, porque ando instável e isso me causa tristeza. Ter uma bula sem tamanho para reconhecer homens corretos. Grandes vontades para desfrutar momentos bacanas com os amigos. Conjunto de latinhas sem validade de consumo com conteúdo para perceber erros e saber me perdoar.

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Por baixo da minha pele

by Beth Valentim em julho 30, 2009 | 9:00 pm

Por baixo de minha pele tem uma mulher que já sofreu derrotas e vitórias. Que se fez gente diante de cada obstáculo que nem sequer imaginava existir. Gastou suas solas de sapato. Arranhou as pernas nos espinhos. Furou os pés com os pregos das avenidas mal tratadas que me levaram a lugares difíceis de esquecer. Sofri, chorei e dei as costas para quem quisesse continuar a me crucificar.

‘Senti medo de ser queimada na fogueira porque tive orgasmos. Eles brotaram do meu corpo sem que eu pudesse escondê-los.

Já fui chamada de mulherzinha, desquitada, largada, mal comida, prostituta, sem alma e tantos outros adjetivos que sempre rondaram minha vida. Não queria ser nada disso, apenas uma pessoa inteira, com suas fraquezas e limites positivos. Que pudesse ressurgir a cada dificuldade sem que os rastros me fizessem retroceder. Mas continuavam a dizer que eu era solteirona, fulana, perdida, e, mesmo assim, eu continuava a subir cada degrau, escorregar, secar o suor do rosto e permanecer firme.

Eu fui pessoa feminina pós-guerra. Pós-Revolução Industrial. Anos 60. E ainda feminista e revolucionária. Me disseram que alguém como eu queimou sutiãs, rasgou calcinhas rendadas e tirou os bicos das mamadeiras. Mas jamais deixei de tentar superar os preconceitos de uma era do gelo arcaica e pulverizados de dogmas cruéis.

Senti medo de ser queimada na fogueira porque tive orgasmos. Eles brotaram do meu corpo sem que eu pudesse escondê-los. Eu tremia de prazer, mas disfarçava porque tinha que fingir que era frígida. De minha boca não podiam sair palavras de êxtase. A minha própria sensualidade não me pertencia. Subia pelas paredes de vontade de fazer sexo, mas como dizer isto para um homem? E continuava a ler sobre coisas de uma fêmea que deixava para trás sua essência. Que se perfumava para ser admirada a distância. Sorria atrás dos leques de babados. Gargalhar nem pensar, já que espontaneidade, felicidade, eram apenas sentimentos masculinos.

‘Senti raiva. Chorei. Tive vergonha. Amei. Tentei esquecer o passado. Limpar meu lixo para debaixo dos panos. Esconder as verdades de minha alma.

Senti meus poros gritarem por um carinho. A garganta ficar seca porque queria tomar um gole de pinga e dormir até o amanhecer. Esquecer o dia passado e levantar ainda inebriada, mas refeita das dores do ontem que já se foi.

Supri manias. Deitei com alguns amantes às escondidas. Saí pela janela depois da meia-noite para dançar. Namorar. Beijar. Abraçar. Me sentir viva. E dolorida vinha para casa do mesmo jeito que fui aos bordéis vizinhos e permiti que um coitado daqueles me fizesse sentir o coração bater.

Quantas vezes senti a dormência da morte da vida. Fui aprisionada em casa e não pude sair. Me disseram "não" inúmeras vezes. Nem meu vestido de gala pude experimentar porque mostrava as curvas dos meus seios.

Senti raiva. Chorei. Tive vergonha. Amei. Tentei esquecer o passado. Limpar meu lixo para debaixo dos panos. Esconder as verdades de minha alma.

O tempo passou. Hoje assisto pela TV aos jornais, revistas e à evolução feminina. As que saem de vermelho carmim e com a cabeça erguida. Sorriem sem medo e amam de maneira trêmula. Impressionantes e revigoradas. Agora sei por que fiz tudo isso comigo. Não deu para ser tão diferente. Sou semente da boa. Floresci e dei frutos. E tudo o que passei na vida, só tinha um motivo : me chamar mulher.

Recadinho - Por baixo de minha pele tem uma vontade. A de todas "ELAS" que surgem e ressurgem. Que brigam, caem e levantam. Mas que nelas, todas, esteja a força de serem admiradas e se orgulharem em ser mulher. Fui isto ou aquilo para você ser muito.

Assinado: Uma mulher do passado.

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MINHA BOLSA

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Resistência máxima

by Beth Valentim em julho 15, 2009 | 9:00 pm

Eu quero sair dessa, mas você insiste em me procurar. A tentação de sua voz me provoca, revira minhas entranhas e me faz perder o sono. Como dizer "não" ao seu convite para almoçar, que se traduz como: vamos fazer sexo, do mais gostoso que já existiu em minha vida? Com as suas mãos tateando o meu corpo e o despertar da minha carne que fica no limite máximo do transtorno?

Eu digo não mais uma vez. Envio torpedo para não fazer soar o meu coração com o tom de suas palavras dizendo "oi". E não adianta. Me liga de outro número e atendo trêmula com a certeza de que meus instintos não erram – é você.

Mas a coisa de nós dois não anda. Nada se modifica. Está com a outra e ilude a minha fraqueza estonteante, dizendo que sente saudade do meu corpo. E como se nada fosse, acha normal encontrar, passar a tarde juntos e voltar para casa e deitar ao lado dela. Eu? Morta por dentro e vazia. Minutos antes de fechar a porta de casa, achava estar no céu. O seu calor incendiando o meu calor. Beijos fatais que amaciam cada porção do meu corpo. Entregue. Sua. Na cama abatida e pronta para ser devorada por tudo de você.

Em poucas horas estou sozinha de novo. Choro. Penso. Repenso. Minha alma ansiosa quer se despedir da vida. Uma vontade danada de mandar tudo para o inferno e continuar vivendo a loucura. Que contradição. Espasmos de choro. Que dor! Os pensamentos fervilham me deixando louca.

Setenta e duas horas depois volto ao normal e tenho certeza de que esse homem me faz muito mal. A concentração no trabalho se esvai. Suo na madrugada e acordo insone. Mais dois ou três meses sem atender, telefonar. Rezo. Prometo tudo que posso. Vou esquecendo devagar. Quando penso estar imune ou bem melhor, ele reaparece e me faz ficar sob tortura com o desejo de estar por baixo do seu corpo fenomenal. E que química perfeita junto ao meu.

‘Tomara que todas as mulheres que amam demais e se amam de menos com a razão invisível que se sobrepõe à lucidez possam deixar de ser emocionais a ponto de abrir o peito e deixar o perigo entrar e ferir mortalmente o coração

Até quando vou ficar assim, refém de seus desejos? Não conseguir enxergar quem me ame de verdade? Cega fico, porque meus olhos brilham só ao soletrar o seu nome. É preciso ter resistência máxima. Cavar as trincheiras necessárias para defender a minha vida. Ficar no front da batalha, mas com as estratégias e munições que me fortaleçam. Fazer com que os seus disparos retornem sobre ele mesmo. Me afastar do perigo de ser abatida mais uma vez. Despedir-me da tristeza e da alegria de disfarce.

Escrevo aqui minhas palavras-sentimentos que não cabem mais em mim. Todos os dias me exercitam para esquecer esse amor desviante das metas possíveis em minha vida – esperança. Dos momentos que deixam rastros e destroços cravados em minha pele. Estilhaços que ferem o fundo do meu ser.

Tomara que todas as mulheres que amam demais e se amam de menos com a razão invisível que se sobrepõe à lucidez possam deixar de ser emocionais a ponto de abrir o peito e deixar o perigo entrar e ferir mortalmente o coração. São as Marias ou Tatianas, que importa? As que não amadurecem e recorrem a amores impossíveis, escolhas equivocadas, passos errantes. Que procurem no fundo de suas almas a resistência máxima, onde ali possam recuperar a autoestima e mudar suas vidas. Serem felizes, enfim, com a posse de sua liberdade.

Se ainda insiste em conviver com a pólvora dilacerante de uma granada presa ao cinto de seu corpo, que abriga um tipo de amor como esse, cuidado, amiga. Um campo minado provoca muitos perigos e podem ser letais. Você pode cavar sua trincheira, esconder-se por um tempo. Ficar por ali se reerguendo, reconstruindo seus instintos. Depois, sim, decida se a paz que encontrou nesses dias é melhor do que a inquietude dos outros.

Sei que não é nada fácil se despedir de um caso assim, nem vou chamar de amor. Nem de paixão. Talvez, obsessão. Amor não é assim. Amor é sublime, nos põe delicadas com a vida e não tristes ao seu lado. Seja firme. Sai dessa. Se cuide. E depois experimente os campos floridos. Dos minados, chega!

Recadinho – Se está com medo de iniciar essa batalha, o lema é a resistência máxima.Aprenda. Observe as investidas. Fique de olho nos ataques. Mas proteja o coração dos disparos. Esse pedaço de ti tão especial não merece ser tratado assim.

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- Louca paixão - O que você seria capaz de fazer por amor? Faça o teste.

Faça o teste:

- Você corre atrás do que quer? - Algumas de nós se deixam levar completamente pela maré. Outras, mais práticas, vão atrás do que querem, sem medo nem hesitação. De que lado você está? Faça o teste e descubra!

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Deixa o outro resolver

by Beth Valentim em junho 18, 2009 | 9:00 pm

Tem mulher que dá tudo de si para conquistar o homem que imagina ser de sua vida. Suporta todas as dores e releva as ligações que ele deixou de fazer durante dias. Quando o tal aparece como se nada tivesse acontecido e diz um "Alôôô" todo meloso, abre mão do racional e sai de novo com ele. Transam, beijam muito e o sujeito desaparece de novo.

Uma semana ou um mês depois, ressurge com o sorriso lavado. Repetem a performance um milhão de vezes e ela começa a perceber que está ficando de mal com a vida, angustiada porque tem algo que está faltando. Esse vazio é sinal de que o envolvimento com a tal pessoa está chegando ao coração. O que fazer? Pode estar certa de que está entrando em um ciclo dependente dos sentimentos que de nada vai lhe fazer bem. Afinal, é amiga de si mesma ou joga contra o seu time mesmo sabendo que vai levar a pior?

Já fez promessa. Vive se cuidando para esse homem que no dia marcado liga e blábláblá, haja desculpa para dizer que não pode lhe ver. Consegue matar até o pai para dar uma de bom moço e você ficar com o coração partido e perdoar.

‘Já percebeu que não pergunta intimidades suas? Isto porque não quer dar brecha para que faça o mesmo

Os dias passam, os anos idem e você comemora cada um deles achando que é a mulher mais feliz do mundo porque tem um homem que só quer viver o lado bom da vida e elegeu a sua pessoa para satisfazer essa necessidade. Isto se traduz em: quando está carente, a namorada deu um pé nele, a mulher uma prensa. Ele telefona e pluga sua tomada em um carregador de baterias chamado "você".

Esse é "o cara", pode acreditar. Bom humor a toda prova. Disposto a fazer amor por horas. Fala cada coisa tão inesquecível que para extirpar da memória afetiva vai levar anos. Mas fazer planos com você, duvido. Sai sempre pela tangente, não aparece em público em sua companhia. A desculpa é: "A gente tem tão pouco tempo para ficarmos juntos, não vamos passear no shopping, não é mesmo? Vamos nos curtir". E assim a mulher se derrete, mais uma vez, em seus braços.

Vamos combinar que o tal não vai fazer movimento algum sobre essa relação atípica. Até porque esta ótima para ele. Sai com a mulher que deixa sua libido nas alturas e relaxa suas tensões. Já percebeu que não pergunta intimidades suas? Isto porque não quer dar brecha para que faça o mesmo. Você? Explode o cartão de crédito para ficar a mais estonteante mulher, mesmo que dure apenas uma hora. Afinal, já perdeu a identidade e nem sabe. É só satisfazer o macho-de-ouro e a ordem é: tudo por ele, nada por mim.

As chances de ter um relacionamento bacana se estendem. O colega de trabalho supergato que não tira o olho de você já a convidou para almoçar e até para jantar, mas você faz questão de se sentir comprometida com a esperança de sempre. Aquele do metrô que sentou ao seu lado e puxou conversa sobre o livro que estava lendo? Um cheiroso, simpático e… você o dispensou. Claro, sua agenda emocional está com as horas repletas de fantasias com o final feliz grifado a glitter para lembrar que dentro de si mesma existe um casamento à vista.

Entre delírios impressionantes, o par constante que faz seus pés andarem por cima das nuvens destrói os antigos projetos de vida. Alguns deles são: ser feliz, viver uma relação estável, de respeito e confiança. Até quando vai investir em valores que não existem?

Um homem de verdade não sai pela tangente, ao contrário, tem honra e atitude. Mas por que você não sai de cena e deixa a coisa complicar para ele? Vai continuar tornando a vida dele fácil o bastante para desfrutar de dias deliciosos e se sentir cada vez mais fortalecido? Ah! Está com medo de perder o fantasma. O faz-de-conta. Entendi. Enquanto isso a vida passa e quando ele enjoar da sua maneira boazinha de ser, passa para outra mais interessante.

A mulher tem mania de querer modificar as coisas, até a personalidade de um homem. Traça metas exóticas, porque mudar uma pessoa é pura ficção. E perder tempo hoje em dia, em qualquer segmento de vida, é ser displicente com a felicidade que urge para ser ressaltada e você insiste em colocá-la para baixo.

Vou dar um conselho. Não se dá, mas vou abrir uma exceção: "Deixa ele resolver!". Às vezes a gente tem que deixar o outro resolver. Se oferecer pronto, porque se esforçar? Está pensando que facilita as coisas assim? Que nada! É dessa maneira que se perdem pontos.

‘Amiga, deixa eu "dizer" uma coisa: se quiser obter liberdade no amor, deixe-o livre. Se for seu não vai fugir, nem dar desculpas para estar distante de você

Talvez você seja daquelas que não tem paciência, sai logo inventando respostas para se sentir melhor. Ansiosa, com certeza. E pessoas ansiosas não resolvem nada, apenas se livram. De certo está se livrando da melhor parte do seu corpo. Qual? O coração.

A vida tem sido relacionada ao tal ele. Tudo que faz é pensando nele. Até o esmalte das unhas é para dar a ele satisfação. Por favor, deixa o outro resolver! Se sumir da vida dele e não lhe procurar mais, sei que vai doer. Mas ele não estava a fim de você. Queria encontros mágicos, mas eram apenas uma saída pra seu lado fraco de ser.

Amiga, deixa eu "dizer" uma coisa: se quiser obter liberdade no amor, deixe-o livre. Se for seu não vai fugir, nem dar desculpas para estar distante de você. Pare com essa de resolver tudo pelo outro. Permita que sinta sua ausência. Que faça o movimento necessário para lutar por sua companhia. Se não retornar é porque não te merecia.

Recadinho: Talvez esteja sendo um passatempo maravilhoso de alguém. Difícil escutar isso, não é mesmo? Mas é a pura verdade. Se cuida!

Apenas vinte minutos

by Beth Valentim em junho 4, 2009 | 9:00 pm

Entrei no banho feito louca. Maquiei o rosto. Vesti a roupa básica que sempre me deixa bem para não errar. Nem jantei. Desci esbaforida pelas escadas, porque o elevador não chegava.

Todas as noites, eu tinha apenas vinte minutos para me arrumar e logo ele estava ali, em frente a minha casa, com o seu sorriso louco. O olhar de despencar qualquer coração. E eu, tragada pelos instintos femininos, cheirava à fêmea ao acordar, ao sair para trabalhar e ao dormir. Era um tal de homem a me olhar, me seguir, ficava impressionada com tanto ser masculino rondando a minha pessoa. Seriam esses vinte minutos suficientes para me deixar tão fascinante? Despertar meus hormônios de tal jeito que o meu sorriso conseguia iluminar onde estivesse? Que momentos mágicos eram estes que introduziam os contos de fada em meu coração? Por que aquilo tudo estava acontecendo comigo?

Mas era assim todos os dias. Vinte minutos de emoção, aquecimento, corpo em alerta. E depois horas de deleite. Sublimes. Irretocáveis. Quase um levitar. As nuvens nem pareciam distantes. Eu tinha era visitado o universo. Asteróides. Estrelas cadentes passando por mim e por um fio me atingindo. Que nada! Estava imune a cada dificuldade, problema ou dor. Nem precisava apostar: vinte minutos me tiravam de qualquer tipo de preguiça para mais uma viagem a esse mistério chamado paixão. Ah, que aquecer de corpos! Os dois inspiravam o fogo. Sugeriam coisas impressionantes. Despertavam fantasias. Os líquidos existentes dentro de mim escorriam. Fluidos, essências puras do ser humano.

Paixão é algo inebriante. Tem tempo de validade segundo estudiosos, mas pode-se dar uma turbinada em seu contexto. Virar a página, escrever novos parágrafos. Paixão rejuvenesce. Adolescência, então, fica plugada ao máximo. Paixão faz a pessoa explodir o senso de humor. Seu requebrado. A trajetória se expande e as tensões aliviam.

‘ Paixão não se complica. Vive-se. Apenas vinte minutos são suficientes. É o encontrar, beijar, transar, morrer de rir até do sexo express e se despedir

Viver momentos tórridos é saber poder desfrutar da vida. Mas que seja com alguém especial. Um homem digno, que respeite você, que traga bons frutos para o futuro. Não falo em relação estável, mas em boas lembranças. Sem marcas de frustrações ou dores que deixam cicatrizes profundas. Paixão deve ser uma história feliz. Mas é necessário que suas bases estejam claras. Se for só paixão, deleite, então que as regras estejam explicitas, senão chegam as cobranças e haja problema.

Paixão não é cabide para segurar a sua onda, pode estar certa que vai despencar lá de cima. O tombo de uma montanha construída pela paixão é de dar medo. Íngreme. Machuca demais quando se cai dela. Se deseja viver a paixão para reaquecer suas entranhas, vai ver que congelada vai estar por mais tempo do que antes. Que de nada adianta pensar em uma paixão como tampão de um buraco vazio no peito.

Paixão não se complica. Vive-se. Apenas vinte minutos são suficientes. É o encontrar, beijar, transar, morrer de rir até do sexo express e se despedir. Já no amor é preciso mais tempo. Demora mais a se construir. É passinho para lá e para cá, todos bem estudados e exercitados. Paixão é explosão. Tudo pode. Pecado? Isto existe nessas horas? Mas tem lá suas confusões. Quem vive paixão e quer amor, pode aquietar o prumo porque senão vai se contorcer de dor.

Amor é calmo. Desperta a libido serena. Não aprisiona os instintos, ao contrário, amor liberta. Paixão dói. Deixa manchas roxas na pele devido aos apertões de sua força. Marcas de beijos. Unhas. Já o amor aveluda o coração. Torna-o macio. Seu ritmo se esforça para abrandar. É compreensivo. Inquieto às vezes, mas retoma logo à sua posição na vida.

‘Se tiver em mente a relação de estabilidade, vá ao encontro do amor. Agora, se não sabe o que fazer, viva o frisson do momento

Depende de você querer viver paixões ou buscar o amor sereno. Este também tem surtos de paixão, mas retorna à calmaria. Se adora o aquecimento de vinte minutos de tempero, beijos longos que arranhem o queixo com a barba do eleito, você tem essa queda por paixão. Mas que venham em sua época definida. Desejo de paixão é combustão. Já o de amor é prazeroso. Não falo de prazer específico, porque é difícil separar um do outro. Mas se quer uma cama aquecida todo o tempo, pegue suas asas e fique nela, na paixão. Se pretende ter estabilidade nos sentimentos, então encontre o amor para lhe dar suporte, solidez.

Escuto várias pessoas em meu consultório contando uma determinada paixão que as fez saírem do chão. É incrível. Ao falarem reviram os olhos, ruborizam e o suor brota. Por que? Na verdade, apenas vinte minutos de conversa sobre a paixão deixa o corpo repleto de endorfina. Dá vontade de viver tudo outra vez. E a autoestima emerge vaidosa.

Mas tem gente que já viveu paixão e agora tem o amor sereno e sabe separar um do outro. Depende da maturidade adquirida. De como fez sua escolha. Afinal, não se pode ter tudo. Se adrenalina faz tremer sua essência e lhe torna viva, então que seja a eterna apaixonada. Mas se tiver em mente a relação de estabilidade, vá ao encontro do amor. Agora, se não sabe o que fazer, viva o frisson do momento. Seja ele doce, esfogueado, macio ou desesperado, quem consegue viver sem algo assim?

Recadinho: Ao começar a viver a paixão tórrida, sem compromisso e quiser transformá-la em amor, tenha cuidado. Que as bases das relação sejam bem definidas, porque depois as cobranças podem machucar você. Gandhi fala uma coisa certa: "O que começa errado termina errado". Portanto não se engane, defina o que é paixão e o que é amor, senão a casa cai.



perfil

Consultora em comportamento, Escritora, Poetisa, Colunista, Blogueira. Consultora em Desenvolvimento Pessoal. Mestrado em Psicologia Social. Autora dos livros "Essa tal felicidade" em eBook e Mequiel – O caçador de sonhos. bethvalentimcoisademulher.blogspot.com.br