Já me vesti com tantos tipo de roupas imaginando poder disfarçar quem realmente sou. Hoje tenho a minha armadura, a que me torna bela, que me defende das feras e me concebe poderes e antídotos contra o ataque de estranhos. Não me rendo mais as pobrezas da vida, todos os dias acordo e me visto com o charme natural das coisas e dos meus sentimentos.
Não tem mais como controlar o que sinto aqui dentro do peito. Um peito sólido o suficiente para me defender. Não o que porta meus seios, mas o que guarda o coração. Aprendi que eu mesma sou o motor de minha existência. Algo em mim acontece quando alguém supõe me destruir, não tem jeito, como meteoro risco o céu ardente e me envolvo em nuvens encorpadas, as que me protegem da chuva que sinto quando entristeço.
Como qualquer pessoa tenho minhas fraquezas, mas contabilizo ganhos e não perdas. Quero ser gentil com a vida, e, se não quiserem ser comigo, que se afastem e me deixem seguir em frente sem rancor, mágoas ou lembranças que possam mexer no equilíbrio que construí.
Talvez eu aprecie somente um vestido, mas o que me deixa segura, firme, plena. Com o decote farto deixa meus braços fortes aparentes, e com a sutileza da nobreza os joelhos de guerreira a mostra para que percebam que dou passos largos quando sinto que serei atacada pelas costas.
Meus pés são ágeis o suficiente para atravessar vales escuros. Tenho a sensação de ser a Cinderela e também a supermulher, a mistura essencial das ganhadoras de títulos especiais. Ao descansar da labuta do dia, meu sono vem. O destino sobrevoa com a força de uma lança certeira, porque sei que vou conseguir ser o que quero.
Não tenho vergonha de ser mulherzinha, por que teria? Seria boba se não aproveitasse o meu destino, mas tenho a firmeza da mulher guia, da que percebe os perigos e esfola os mentirosos e desagradáveis seres que acham que podem seduzir, provocar ou ferir.
Me visto de bela hoje e amanhã, com certeza, ontem? E você ainda duvida?
Seria bom que você escolhesse sua veste fatale, mas não a que mostra a carne exposta e sim a que faz brilhar seus encantos. Todos que uma mulher da fortaleza possui e não abre mão, jamais.
Abro a porta do armário e vejo vários modelos a serem escolhidos. Os que me deixariam como uma boneca, mas sem o vigor da coragem. O que poderia permitir que a sensualidade fosse ampliada, no entanto, não permitiria que eu fosse tão admirada como mulher. E enquanto tiro um vestido do cabide, outro e outro, escolho me vestir de bela. Daquela mulher desejável, a insuportável feminilidade escorrendo pelos lábios e com a pele encorpada devido as lutas, as sabotagens que viveu e o triunfo de ter cada pedaço seu preservado.
Essa sou eu, você, as que se vestem de bela. Não são tantas, mas as escolhidas esbanjam virilidade, mostram o perfil encorajador da chamada mulher contemporânea. A mulher que adora tecnologia, que acorda no astral, multiplica os benefícios e aplaude suas atitudes viris.
A veste que reveste uma mulher de verdade…
A escolha é sua…
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