Nada como ter amor próprio e orgulho do que conquista
Meu nome é Coração. Antes era um coração pequeno, com poucas perspectivas, mas hoje sou um coração valente. No passado sempre me via como sensível demais e culpado, como sofria. Mas hoje me vejo forte, com a força necessária para dar o golpe final no adversário que me ataca pelas costas.
Certa vez me apaixonei por outro coração. Não vou negar que até hoje sou apaixonado, mas de maneira diferente. Tenho amor por mim, me respeito e não permito que mexam em meus “Tum tum tuns” de qualquer maneira.
E durante anos esse sentimento era dono de mim, só uma palavra e pronto, lá estava eu feito bobo a me despejar diante daquele outro coração. E no primeiro dia dessa semana, venci a batalha.
Ele, o tal coração, me telefonou tantas vezes. Ele tem um celular da mesma operadora que o meu, é verdade, coração hoje em dia também usa celular. Pois bem, as ligações não marcam em sua conta, e, ele pode disfarçar que me procura, que gosta de mim, que sente a minha falta. Mas como todo coração covarde, não consegue se desgrudar da “bateria” que o alimenta para sobreviver. E durante anos eu dizia – sim – aos seus encantos. Ele é um coração charmoso, vermelho tinto, sabe pulsar palavras de deixar o meu intimo quando era bobo, em frangalhos. Mas nesse dia ele pediu, implorou, fez de tudo para dormir ao meu lado. No seio da cama que sempre o recebi. Forrada de lençóis de cetim, velas acesas, flores que ele trazia para enfeitiçar meu sangue púrpura. E depois de muitos “nãos” ainda assim ele insistiu. Vou dizer que naquele momento em que jorrou sangue por todos os lados eu fiquei descontrolado. Sem ritmo, inflado e explodindo de desejo por ele, afinal, sou de carne e como a carne é fraca, a minha também não fica atrás.
Ele faria uma viagem e queria passar a noite comigo como sempre fez. E depois um convite para outra viagem em outro estado. Cheio de charme me dizia coisas que nem posso contar. E frisou: “ me fala senão vou direto”…quem sabe até desistiu de viajar a noite e partiu no dia seguinte para sua casa na praia depois do meu “não”.
Então, sabe aquele celular? Pois é, resolvi enviar uma mensagem por ele: “Desculpa, não posso, não devo…para você é fácil, você é um coração masculino e eu um coração feminino, eu sofro”. Ele não deu retorno, é vaidoso, não gosta de ser contrariado, e, certa vez, escutei alguém dizendo que ele tem o dom de colocar as coisas do jeito dele. Imagino o que sentiu, fazer o quê?
Naquele dia eu teria uma noite de delicias. Seria bom demais como sempre foi – dois corações doidinhos um pelo outro fazendo tudo que sentem, sem limites. Mas resolvi dizer não. Deixei de lado o coração bobo e me tornei um coração valente. Sofri porque fui forte, mas ser fraco é fácil, o difícil é ser um coração guerreiro e que consegue se por no front e receber as pancadas da vida e, ainda assim, vencer.
Quando um coração valente vence a batalha é assim. Ele se sente livre. Diz que não quer mais ser um qualquer que vaga por aí, mas o que encara as dores de frente e com excelência sabe erguer a taça de primeiro lugar em dignidade.
Quando um coração valente vence a batalha orgulha-se de si mesmo. Não fica ao lado de outro somente por ficar. E se algum coração ou ele mesmo quiser me conquistar, vai ter que me expor na vitrine dos corações vencedores, dos que preenchem os peitos que podem ser mostrados sem medo, porque sabem que são os melhores, os que dão exemplo.
Se você ainda é um coração repleto de remendos, não permita que seja humilhado. Coração humilhado é coração vazio, e, eu sei que você, assim como eu, sempre sonhou em ser um coração de verdade.
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