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O avesso do avesso

by Beth Valentim em dezembro 28, 2010 | 1:23 am

Toda mulher tem a pele “double – face”

Acredito que todas nós temos um avesso. Um dia a pele é clara ou negra. A que transpira, respira e com a textura de veludo se defende, arrepia, mas se recupera. Outro dia somos de carne viva. Mostramos as entranhas e os nervos expostos. E mesmo assim damos o jeito de revirar as façanhas e seguir em frente. É a pele “double-face”, o revestimento que sobrevive a tantas lutas e continua sendo o alvo de atenções.

Os amores que se foram. Os entes queridos que partiram. O trabalho que adorava e foi demitida. A promoção que estava na boca de saída e parou no status do colega. Enfim, quantas decepções, desilusões e realidades que fazem pensar que não tem mais nada para sofrer. E é nesse exato momento que a pele vira do avesso, vem defender sua dona e criar a fortaleza da muralha do coração que se impõe.

Mulher não é a bobinha de antes. Nem possui a textura frágil do passado. Com a couraça moderna se vira como pode – É equilibrista emocional e tem poros que fazem sorar a criatividade. Ter pele “double face” é uma conquista. A dupla função – fora do lar e dentro dele, ser mãe e profissional competente e outros quesitos gravados no pen drive pessoal. Ainda vamos conquistar projetos grandiosos, como ganhar como um homem com a idêntica formação que possuímos. Não ter a inveja do pênis e combinar o “poder forte” com o “poder leve”. A atitude da mulher que hoje se desdobra em interagir na sociedade, relacionamentos e nas empresas onde caminha com os passos leves típicos do salto fino e fortes onde a marcha brilha com o tom que ecoa o sucesso.

Por estar buscando o espaço que antes exalava somente testosterona, sente a pele que bate nos cacos de vidro do castelo de pedras pontiagudas. Mas vale a pena aprender com as decepções e as cicatrizes profundas, porque nos sinais de vitória vão estar gravados para sempre a bela e a fera do século que desponta e dos outros que ainda estão por vir.

Quando doer, mulher, fique certa que a sua pele vai virar do avesso. Pode escorrer sangue de um lado, mas o aroma de alfazema vai surgir do outro. Um instante é áspera devido aos ventos duvidosos e como seda por ter sido treinada para ser “camaleoa” quando tiver que escapar.

A cara lavada mostra a pele crua. A maquiada a que seduz os homens. O sorriso trancafiado desafia a alegria e o escancarado liberta a felicidade. “Double face”, isso mesmo: Somos assim tão duais, esplêndidas fêmeas que no avesso do avesso acontecem e atuam como protagonistas.

Temos que ser melhores, mais do que somos e pretendemos.
Não lamente as lágrimas nem os pesadelos das perdas. Ao contrário, acredite que o avesso feminino sabe dar o troco e reconstituir a imagem.
Não repita as coisas do passado que entristecem. Faça por onde recomeçar o “novo” ao amanhecer. Mesmo que as feridas latejem, existe a possibilidade de buscar alternativas. O desespero deturpa a inteligência e a emoção se ressente.

Se eu pudesse daria o abraço apertado em minhas amigas leitoras que sofrem e dividem comigo suas dores, mas nesse texto divido a honra de ser “A” mulher “double face”. A que com o avesso do avesso se recompõe e não perde o combate para retomar a luta e sobreviver.
Força, mulher! Eu insisto: Seja brava para vencer, sempre.

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O tempo do amor

by Beth Valentim em dezembro 12, 2010 | 11:55 pm

Tanto tempo esperando por esse amor. Amor que é possível enquanto dure. Enquanto não for impossível.

Tem gente que imagina que um amor termina. Não é verdade, amor se aquieta, mas seu fogo fica por ali aquecendo as almas envolvidas. Isto se for para ser concreto, se existe, se é real.

Sei que muita gente já sofreu por amor e dói feito lança que faz sangrar o peito sem piedade. Eu sei. Mas enquanto existir saudade da paixão tatuada na carne, não tem jeito, o tempo ainda não parou de soprar, de lembrar que existe alguém que pensa em você, que sofre como você, que lembra dos detalhes como você.

O tempo do amor não é medido em horas, nem dias, meses ou anos. Ele é diferente, se faz presente quando menos se espera e revive o vigor quando deseja. Cada pessoa se livra da dor como pode, mas dizer que esqueceu um grande amor é imaturidade e não se deixa de lado páginas importantes da vida.

No entanto um novo amor pode surgir. Algo diferente, nunca comparado ao anterior. Apenas que fique na pele como um toque carinhoso que despertou novos rumos. Construiu pranchas diferentes para surfar nas ondas das emoções. E é possível amar mais uma vez, sentir que é gloriosa para se arrumar para um homem, que não é mais o do passado, mas causa arrepios nas costas, ou em outro lugar, o que importa.

Mas o tempo do amor espera. Ele faz os sinais de fumaça nas montanhas das delicadezas das paixões. Transmite códigos que só quem estiver envolvido compreende. Podem ser poucos os encontros, mas quem ama tem o sentimento forte do desejo, não perde por esperar. Ele, o tempo, é vaidoso, não rola ociosamente, como diz o pensador Agostinho. Fica por ali ciscando, esperando a deixa para dizer suas verdades.

A temperatura pode aquecer ou esfriar, o que não impede de amar. É o refazer constante e o esperar da meteorologia do amor menos vaidosa.

Sabe, querida? “O que é do homem o bicho não come”.
Se for para ser feliz ao lado de alguém, pode estar certa que a Terra vai dar mil giros em torno do seu eixo, mas quando a vida quiser impor sua vontade vai realizar o amor esperado. O “eterno enquanto dure” pode ser transformado em “enquanto não for impossível”.

Amor e suas sensibilidades, as melhores, as lembranças vivas que despertam todas as manhãs com um “bom dia”. Se o tempo que vive for esse – mulher – é porque ele está elaborando as ferramentas para construir o futuro.
Bom? Tomara, porque como o pensador disse, ele não trabalha sem um motivo maior, e, melhor.

Recadinho: Seria de bom tom você entender os altos e baixos do termômetro do amor. Ele também tem as suas razões, impossibilidades, fragilidades, emoções, força e vontade de descansar.

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Consultora em comportamento, Escritora, Poetisa, Colunista, Blogueira. Consultora em Desenvolvimento Pessoal. Mestrado em Psicologia Social. Autora dos livros "Essa tal felicidade" em eBook e Mequiel – O caçador de sonhos. bethvalentimcoisademulher.blogspot.com.br