Toda mulher tem a pele “double – face”
Acredito que todas nós temos um avesso. Um dia a pele é clara ou negra. A que transpira, respira e com a textura de veludo se defende, arrepia, mas se recupera. Outro dia somos de carne viva. Mostramos as entranhas e os nervos expostos. E mesmo assim damos o jeito de revirar as façanhas e seguir em frente. É a pele “double-face”, o revestimento que sobrevive a tantas lutas e continua sendo o alvo de atenções.
Os amores que se foram. Os entes queridos que partiram. O trabalho que adorava e foi demitida. A promoção que estava na boca de saída e parou no status do colega. Enfim, quantas decepções, desilusões e realidades que fazem pensar que não tem mais nada para sofrer. E é nesse exato momento que a pele vira do avesso, vem defender sua dona e criar a fortaleza da muralha do coração que se impõe.
Mulher não é a bobinha de antes. Nem possui a textura frágil do passado. Com a couraça moderna se vira como pode – É equilibrista emocional e tem poros que fazem sorar a criatividade. Ter pele “double face” é uma conquista. A dupla função – fora do lar e dentro dele, ser mãe e profissional competente e outros quesitos gravados no pen drive pessoal. Ainda vamos conquistar projetos grandiosos, como ganhar como um homem com a idêntica formação que possuímos. Não ter a inveja do pênis e combinar o “poder forte” com o “poder leve”. A atitude da mulher que hoje se desdobra em interagir na sociedade, relacionamentos e nas empresas onde caminha com os passos leves típicos do salto fino e fortes onde a marcha brilha com o tom que ecoa o sucesso.
Por estar buscando o espaço que antes exalava somente testosterona, sente a pele que bate nos cacos de vidro do castelo de pedras pontiagudas. Mas vale a pena aprender com as decepções e as cicatrizes profundas, porque nos sinais de vitória vão estar gravados para sempre a bela e a fera do século que desponta e dos outros que ainda estão por vir.
Quando doer, mulher, fique certa que a sua pele vai virar do avesso. Pode escorrer sangue de um lado, mas o aroma de alfazema vai surgir do outro. Um instante é áspera devido aos ventos duvidosos e como seda por ter sido treinada para ser “camaleoa” quando tiver que escapar.
A cara lavada mostra a pele crua. A maquiada a que seduz os homens. O sorriso trancafiado desafia a alegria e o escancarado liberta a felicidade. “Double face”, isso mesmo: Somos assim tão duais, esplêndidas fêmeas que no avesso do avesso acontecem e atuam como protagonistas.
Temos que ser melhores, mais do que somos e pretendemos.
Não lamente as lágrimas nem os pesadelos das perdas. Ao contrário, acredite que o avesso feminino sabe dar o troco e reconstituir a imagem.
Não repita as coisas do passado que entristecem. Faça por onde recomeçar o “novo” ao amanhecer. Mesmo que as feridas latejem, existe a possibilidade de buscar alternativas. O desespero deturpa a inteligência e a emoção se ressente.
Se eu pudesse daria o abraço apertado em minhas amigas leitoras que sofrem e dividem comigo suas dores, mas nesse texto divido a honra de ser “A” mulher “double face”. A que com o avesso do avesso se recompõe e não perde o combate para retomar a luta e sobreviver.
Força, mulher! Eu insisto: Seja brava para vencer, sempre.
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