» 2008 » junhoBeth Valentim

Sobras de amor

by Beth Valentim em junho 19, 2008 | 9:00 pm

Amor que se foi, mas ainda permanece. Uma coisa que não se despede de qualquer maneira. E por que o faria? Afinal, foi bom demais tê-lo vivido! Que saudade daquela época tão intensa. Eram dias longos, pareciam não terminar mais. Cada encontro trazia algo diferente, uma brincadeira, um jeito especial de se beijar e fazer amor. O mundo ficou encantado…

Nada conseguia mexer com as tremendas forças que faziam o corpo se agitar de tanta felicidade. Um amor assim pode transformar tudo que tem por dentro – cada história de vida e refazer outras tantas. É possível estar em um lugar que não existe, porque foi apenas criado por duas pessoas que vivem uma química estonteante – transam no carro, no estacionamento, escada, banheiro… e quem sabe onde mais podem se satisfazer e encontrar aquela sensação de que são os donos do mundo? Quantas idéias e esperanças borbulham na mente: Tudo dará certo para sempre. Não tem erro! É eterno! Problemas? Eles existem? Nem de longe perturbam, porque ficaram anestesiados por um bom tempo.

‘Mas que fique a certeza de que é possível deixar para trás uma época tão linda, mas jamais apagá-la, até porque, qual a razão de deixar de lembrar de algo tão bom? Tentar tirar da cabeça vai ser difícil

Nada consegue abalar o estado de euforia, nem a vontade de se mostrar às pessoas. Um novo modo esfuziante de ser amado foi descoberto, nem de longe sabia que existia. E os dias passam… O sentimento fica sólido e rola muita saudade um do outro. Pensam juntos e se ligam no mesmo momento, coisa do outro mundo. Tudo junto, um grude inexplicável, diferente e surreal. O vazio de antes foi preenchido por uma ligação quase eterna, porque nesse momento quem afirma que esse elo acabaria?

Mas pode acontecer… e a pessoa não entende por muitos meses e anos a razão do afastamento. Desentendimentos, mentiras, egoísmo? Seriam esses sentimentos tão poderosos que conseguem afastar duas pessoas assim de uma "coisa" tão forte? Sim, e tantos outros… E o que resta é de matar de tão sofrido: aquelas lembranças doidas de viver nos sonhos de olhos acordados; as lágrimas que rolam durante a madrugada; o cheiro que ficou impregnado no corpo inteiro. Dá pra sentir a boca desse alguém na sua. O úmido do seu corpo no seu, cada pedacinho…

Olhar de súplica, juramentos, jogos de paixão – é o que sobrou daquele amor. E a certeza de que jamais se pode retornar aquela vida maravilhosa, a qual tudo era possível e, por se acharem imbatíveis, ninguém poderia ter o poder de afastá-los.

Mas uma história do passado se refez e embolou essa trajetória. Tirou o brilho, machucou ferindo a alma. Deixou marcas – e olha que não dá nem para sentir raiva. Isso é o pior, muito mais profundo do que se despedir. O misto daqueles encontros nos quais se ia até a lua e, de quebra, visitava-se as estrelas. O céu nem era o limite, apenas o trampolim para uma viagem sem fim! O sexo? O beijo? Os muitos amassos deliciosos parecem vivos. Dá pra sentir não dá? Não tem como descrevê-los…

Era uma vontade danada de entrar pelo peito do outro, descobrir seus segredos e, quem sabe, ficar por lá até não dar mais. Quem viveu algo assim sabe como é ter que esquecer uma lembrança de dar nó na garganta, de fazer chorar e rir, um misto de emoções que borbulha na pele e se entranha no coração. Mas o mais complicado é ter as sobras de amor nas mãos. Olhar para elas e sentir que ainda estão vivas, saltando de vontade de encontrar as dele que, com certeza, também estão lá, pertinho de sua alma.

Algo que não era esperado aconteceu. Um fato irremediável, quase a morte, uma dor de rachar apareceu e afastou esses dois seres que ficavam loucos de paixão ao se encontrarem. Sim, paixão, que em latim quer dizer "padecer". E como padeciam! Eram reféns de sensações incríveis, coisa de louco.

Mas que fique a certeza de que é possível deixar para trás uma época tão linda, mas jamais apagá-la, até porque, qual a razão de deixar de lembrar de algo tão bom? Tentar tirar da cabeça vai ser difícil. É melhor deixar quietinho que o tempo cuida. Se ler esse texto e estiver com os olhos cheios de lágrimas, não desista nem se desespere. Prossiga a sua vida. Não existe algo que não possa ser mudado. Ou, ao menos, revisto, reconstruído…

Você vai sentir falta, sim! E por muito tempo vai fuxicar o Orkut, tentar ir aos lugares que freqüentavam, usar as roupas que ele adorava… Não faz mal. Saiba que o coração abre de dentro para fora e ele precisa de tempo para se refazer. Só vivendo o que tem por lá guardado é que vai conseguir se libertar de vez. Se der vontade de ficar sozinha por uns tempos, fique. Telefonar e escutar a voz? Também. Não faz mal não. Quando menos esperar, vai sentir alegria de novo, entender que nossas histórias acrescentam, enriquecem e jamais podem nos colocar no chão. Portanto, não permita que isso aconteça.

Dicas:

- Não tenha medo de superar um sentimento que lhe marcou profundamente. Você não é a única pessoa a sentir algo assim. Tente fazer mais por seus dias, se divertir, esquecer o que não acredita poder ser esquecido. Trabalhe muito nessa época, tempo ocioso só faz mal a quem passa por algo assim.

- Se acha que procurar esse alguém que significou tanto em sua vida lhe faz mal, então esqueça… Faça um calendário e vá riscando cada dia que consegue passar sem telefonar para ele. Mexer em história adormecida é perigoso, os destroços vêm à tona. Se cuide!

- Um novo amor pode curar essa loucura do coração. Mas se não olhar para os lados, quem mais poderá lhe ajudar? Viva e tenha esperança! Tudo pode acontecer… Acredite em você e não se desespere!

- Aproveite o espaço no fórum e troquem suas histórias de superação… vão ajudar muita gente!

Doce mulher

by Beth Valentim em junho 5, 2008 | 9:00 pm

Ontem estava conversando com um amigo, daqueles com alma feminina, e o papo foi sobre as mulheres. É um tipo interessante, bonitão, alegre e bem charmoso. Está à procura de uma companhia e, mesmo tendo tantos atributos, não consegue encontrar aquela que pode lhe oferecer "o algo mais". "Não é casar", dizia, "mas alguém que possa viajar, me divertir, sair para dançar, beijar, sentir o seu cheiro e adorar pensar que posso vê-la no dia seguinte, porque vou dormir com muita saudade daquele corpo…"

Huuuummmmm… Interessante, não é, meninas? E continuou: "Não me apaixono por uma bunda". "Hahaha", eu ri, porque foi bem espontâneo e suas palavras me faziam pensar em como as mulheres andam enganadas sobre como conquistar um homem de verdade. E completou, afirmando que "bunda tem um monte por aí e lindas, eu sei, mas não é disso que falo". E nosso papo foi até altas horas. Estava adorando escutar aquelas revelações que pareciam ser o start de uma revolução masculina (não fiquem ansiosas! Vai demorar milênios, assim como a nossa).

‘Admiramos as bem-sucedidas, independentes, mas ficamos de quatro quando se fazem de frágeis de vez em quando

Adorei escutar que alguém assim tão especial procura uma mulher doce, que homenageia seu homem vestindo-se para ele com o jeito bem feminino. As mãos e pés sempre cuidados, cheirosa, pele limpinha e sedosa… Um mimo. Forte, mas cheia de graça. Acreditem, ele falava sobre esses itens empolgadíssimo! Era como se estivesse idealizando sua princesa, menina-mulher, que coubesse em seu coração mas que também despertasse seu corpo de homem.

Chegaram alguns dos seus amigos. Aliás, todos interessantes. E a conversa durou muitas horas. Pode-se dizer que estavam inspirados em poder falar para uma mulher que escreve para outras e queriam mandar certos recadinhos… Isto é, para todas nós! Como sabem que escrevo para vocês, mandaram ver. E sem medo de expressar mil idéias e verdades, afirmam que agora todo mundo é igual: "Mulher malha como homem, joga futebol e tem braços fortes e definidos demais", diz um deles. "Parece até que estamos transando com um homem!", completa o outro. "Admiramos as bem-sucedidas, independentes, mas ficamos de quatro quando se fazem de frágeis de vez em quando", reconhece um terceiro.

Pelo jeito, temos que ser mais estratégicas. Talvez demonstrar aquela doçura toda, mas permanecer no caminho das guerreiras. "E sobre a sedução?", eu perguntava, "o que uma mulher deve fazer para deixar vocês desconcertados?" E incrivelmente motivado, um deles fixou seus olhos no meu: "Poxa! É o fim uma menina sair na noite de calça jeans e um top qualquer e… chinelinho" – ele se referia às rasteirinhas. E continuavam completando os pensamentos uns dos outros: "Mas quando chega A-QUE-LA deusa poderosa arrasando com uma roupa de matar, linda, super perfumada, cabelos tinindo de limpinhos, sandálias altas, femininas até morrer…"

Acreditem, amigas! Eles adoram mulheres assim. E depois de alguns chopes, ficaram mais descontraídos: "Quando aparece uma garota assim, comentamos logo como ela é gata".

Meninas, vocês deviam estar comigo! E porque não puderam compartilhar desses momentos, não posso deixar de contar. Fui puxando, jogando lenha na fogueira para entender o que mais atraía os olhos e a pele deles. E sabem o que disseram? Alegria, bom humor, doçura e sensualidade. Mas nada erótico, beijo gostoso sem pegação doida, apenas romance. "Porque adoramos isso, mas é difícil admitir". "Então são românticos e escondem o jogo", afirmei, "mas adoram pegar as que se oferecem". E no tapa um retrucou: "Depende. A gente pode só tirar uma onda e pronto. Não vamos negar que é bom, mas estamos falando de paixão, né?" "Isso!", respondi. Pois é, outro quase sussurrando mostrou o que pensava: "Mulher tem que ser doce, Beth". E a opinião foi unânime… Essa coisa de ser gostosinha, feminina, voz carinhosa, toda melosa, faz qualquer macho ficar doido mesmo.

‘Se acha que um homem adora que a mulher jogue-o na cama e o arraste pelos cabelos no primeiro encontro, pode tirar isso da cabeça. Eles responderam que isso assusta e assim eles perdem o interesse

Eu estava a fim de desafiá-los. "Meninos, mas essa doçura toda tem que ter um toque de pimenta, estou certa?" Eles começaram a rir. E aquele charmoso e bonitão do início do texto olhou fundo nos meus olhos e disse: "Sem dúvida! Uma doce mulher, gostosa e cheia de charme, um furacão".

É, garotas… pelo jeito o negócio é tentar buscar estar próximo o bastante dessa energia toda do ser masculino. Eles querem tudo, e por que não? Quanto mais exigentes, mais nos cuidamos, tentamos ser fatais e especiais o bastante para passar por eles e despertar aquele "ah!" que emitem quando deixamos um rastro de "doce mulher" no ar…

Dicas:

- Se acha que um homem adora que a mulher jogue-o na cama e o arraste pelos cabelos no primeiro encontro, pode tirar isso da cabeça. Eles responderam que isso assusta e assim eles perdem o interesse.

- Caso costumem se encontrar no mesmo bar e boate, eles não telefonam porque sabem que vão encontrá-la no mesmo dia e local. Portanto, é bom dar um "perdido", assim eles sentem sua falta.

- Anotem essa: quando um homem se apaixona, embobece e a mulher entristece. Bem, se os homens gostam de mulher bem-humorada e doce, o negócio é lutar contra esse jeito de ser…

- Bem, depois conto mais pra vocês, porque esse papo foi demais! Por enquanto, vão praticando a essência gostosa que toda mulher tem e provoquem esse ar de "doce mulher". Eles simplesmente ficam loucos…



perfil

Consultora em comportamento, Escritora, Poetisa, Colunista, Blogueira. Consultora em Desenvolvimento Pessoal. Mestrado em Psicologia Social. Autora dos livros "Essa tal felicidade" em eBook e Mequiel – O caçador de sonhos. bethvalentimcoisademulher.blogspot.com.br